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sábado, 7 de dezembro de 2013

Karma


Um dia eu prometi que iria escrever sobre Karma, e hoje resolvi cumprir. Não porque não quisesse escrever, mas porque é um assunto um tanto quanto complexo para a cultura ocidental, já que o ocidente não tem a base pra entender o Karma, que é Dharma.

Não tenho a intenção de dar muitos detalhes sobre esse assunto, para que não fique muito extenso, mas quero começar uma conversa sobre isso nesse texto. Caso fique alguma dúvida, ou alguém queira conversar mais sobre isso, me procure depois.

Bom, para entender o Karma é preciso entender Dharma, pois o Karma existe como um mecanismo de correção de um desvio de Dharma.

Dharma é a Lei Universal, é aquilo que organiza todas as coisas e estabelece o propósito de tudo o que existe. Dharma é a Verdade sobre nós, é a música que embala a Dança das Esferas. Dharma é o propósito universal, é a Lei. Todas as vezes que um desvio de Dharma acontece, ou seja, quando alguma coisa no universo deixa de seguir o caminho que deveria seguir, desarmonizando todas as coisas, o Karma entra em ação, como um mecanismo de correção em defesa da Lei.

Há quem acredite que Karma é uma espécie de castigo que alguém recebe por ter feito coisas ruins em vidas passadas, ou mesmo nessa vida. É o tal do “aqui se faz, aqui se paga” popular, mas não é nada disso. Não há nada de punitivo no Karma. Na verdade, Karma é uma missão. Missão essa que você nasce com ela.

Essa missão faz parte de uma ampla ação do Karma para corrigir os desvios que os nossos antepassados fizeram, nos deixando a responsabilidade de colocar a coisa toda nos trilhos. Muito embora o que aconteça realmente é que, a maioria de nós, ao invés de corrigir as desvios de Karma dos nossos antepassados, acaba gerando mais desvios, e aumentando a conta do Karma que os que vierem depois de nós vão ter que pagar. E com juros.

Mas calma, isso também não deve ser visto como um castigo. Trata-se de um mecanismo de evolução. Dharma é a Lei da evolução, e o Karma é o mecanismo que garante que vamos chegar onde temos que chegar. Então, Karma não é um castigo, mas uma garantia de que a evolução continuará acontecendo, e que chegaremos onde temos que chegar, mesmo que o jornal da Globo não concorde com isso.

Agora você pode dizer que isso é coisa de religioso ou supersticioso. Sim, de fato aqui no ocidente isso é coisa de religioso, mas no oriente, isso faz parte da história e do dia a dia. Uma criança de 7 anos no Tibete sabe o que é Dharma e Karma, e que o caminho é resolver o Karma para que Dharma se cumpra.

Nós do ocidente temos a péssima mania de acharmos que a nossa história começa onde os livros ocidentais dizem que começa. Mas a verdade é que, antes mesmo de o ocidente sequer ser uma ideia, o oriente já existia há milhares de anos. Nós não respeitamos ou consultamos a cultura oriental porque somos prepotentes e desinformados. Se compreendêssemos o mínimo da cultura oriental, e somássemos ao que já aprendemos como ocidentais, o mundo não seria essa bagunça que é. Mas ainda assim, essa bagunça toda é só um despertar daquilo que precisa ser corrigido. É o Karma em ação.

Para finalizar sem dizer muita coisa, mas apenas introduzindo o assunto pra quem é curioso buscar se aprofundar, a nossa tarefa aqui nessa existência é zerar o Karma que trouxemos, e mais o Karma que geramos ao longo da vida, pra que Dharma, que é a Lei universal, o caminho da evolução, atinja o seu objetivo que é transformar vida-energia em vida-consciência. Em outras palavras, estamos aqui para adquirir consciência do que somos, e do que não somos, para nos transformarmos naquilo que existimos para ser.

Uma dica que eu posso deixar é que a Vontade é uma expressão do Karma. Compreenda e faça aquilo que é a sua Verdadeira Vontade, e estará resolvendo o seu Karma. Essa é a única coisa capaz de realizar você.

Pegou?

*Obs. A imagem que aparece no início deste post é uma representação da Roda de Samsara.

Giordano Nârada

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A filosofia de Luan Santana


Eu nunca tinha ouvido uma música inteira do Luan Santana, mas outro dia via uma propaganda de DVD dele na TV e um trechinho de uma melodia me pegou. Ontem eu resolvi ouvir a  música inteira e fiquei impactado. São poucas as músicas brasileiras que conseguem me tocar de verdade. Não estou falando da letra, mas da música, a melodia. Pode parecer surpreendente, principalmente pra quem me acompanha há mais tempo, me ver falando bem de uma música do Luan Santana, mas eu preciso ser sincero em dizer que, apesar de não ter nenhuma afinidade com o estilo do cantor, essa melodia me tocou a alma.

A melodia é uma mistura de música Gospel com uma das trilhas do filme do Shrek. Mas não aquele estilo Gospel Black Soul americano, mas um estilo de Gospel brasileiro, estilo comunidade. Quem conhece, sabe do que eu estou falando. Me lembra um pouco minha adolescência, quando eu cantava na igreja umas músicas que traziam melodias nesse estilo.

Mas, ao mesmo tempo em que a melodia me emocionava, a letra me preocupava. E analisando a letra, me lembrei de uma certa tradição antiga, que supostamente conta sobre de onde viemos e para onde vamos, e falando sobre isso, revela algumas coisas bem interessantes sobre nós. Quero falar um pouco disso usando a letra dessa música do Luan Santana como base.

O nome da música é “Tudo o que você quiser”. Eu vou transcrever aqui cada parte relevante da música para aquilo que quero pontuar hoje. Vamos lá.

“Tem dias que eu acordo pensando em você
Em fração de segundos vejo o mundo desabar
Aí que cai a ficha que eu não vou te ver
Será que esse vazio um dia vai me abandonar?

Tem gente que tem cheiro de rosa, de avelã
Tem o perfume doce de toda manhã
Você tem tudo, você tem muito

Muito mais que um dia eu sonhei pra mim
Tem a pureza de um anjo querubim
Eu trocaria tudo pra te ter aqui”

Essas três primeiras partes mostram uma atitude muito comum, que é muito endeusada especialmente pela turma adolescente, que é esse negócio de “eu não sei viver sem você”, que é quando uma pessoa acredita que a vida só faz sentido quando outra pessoa está na vida dela. A música é basicamente isso, mas eu quero analisar o refrão com vocês, pra mostrar umas coisas tão interessantes quanto preocupantes. Continue comigo, é agora que vai ficar interessante.

“Eu troco minha paz por um beijo seu
Eu troco meu destino pra viver o seu
Eu troco minha cama pra dormir na sua
Eu troco mil estrelas pra te dar a lua
E tudo que você quiser
E se você quiser te dou meu sobrenome”

Isso pode parecer bonito, mas é absolutamente suicida. A única coisa que importa na vida é você descobrir qual é o seu destino, e trilhar o caminho para chegar lá. Talvez você não acredite em destino, mas acredite que cada um define o que quer ser. Eu preciso lhe dizer que não é de fato assim. Também não é o caso de estar tudo definido e você é uma mera peça de um jogo, também não é isso. Hoje não vou explicar em detalhes o que é o conceito de Destino, mas vou lhe dar uma Ideia do que é.

Cada um de nós nasceu pra fazer alguma coisa. Uns chamam de missão, outros chamam de karma, há quem chame de destino. Mas se trata, na verdade, de uma tarefa. Essa tarefa pode ser cumprida ou não, mas ela existe. Acontece que, quando nos apaixonamos, geralmente acontece o que aconteceu com o exemplo da música: “eu troco o meu destino pra viver o seu”. Essa é a pior decisão que uma pessoa pode tomar: viver o destino de outra pessoa. Pode ser pela motivação mais linda do mundo, é um grande erro.

Mas antes de falar um pouco mais sobre porque a paixão induz ao erro, e também falar sobre o porque abrir mão do seu destino é um erro, quero mostrar uma coisa muito interessante na letra dessa música. Quando ele canta “eu troco mil estrelas pra te dar a lua”, me lembra uma referência de uma tradição muito antiga, falando sobre a gênese humana.

Existe uma frase que diz “quando um homem se ilumina, uma estrela se apaga”. Isso é porque, segundo essas tradições antigas, o homem é a evolução do que um dia foi uma estrela. Claro, não diretamente uma estrela, mas é uma alusão à constituição humana, vinda de uma série de cadeias evolucionais. Mas não vou me aprofundar nisso também, porque o objetivo é chegar em outro lugar com esse texto. Além disso, a música faz referência a Lua, que representa pra essa tradição antiga, uma cadeia evolucional que gerou os animais, e que trouxe para o Homem o que chamamos de emoções. Ou seja, olhando por esse filtro, quando a música diz “eu troco mil estrelas pra te dar a lua”, ela está dizendo, eu troco a sabedoria de mil homens, para viver baseado em emoções, como um animal.

Eu fiquei bem impressionado com isso porque, ainda que eu não tivesse esse conhecimento e nem escrevesse nada sobre isso aqui, ainda assim, seria fácil compreender essa questão na música. A paixão nos transforma em animais irracionais. Afinal, quem em sã consciência trocaria a sua paz por um beijo de outra pessoa?

Isto posto, quero dizer que, apesar de a melodia dessa música ser (pra mim) uma coisa sensacional, a letra traz a velha fórmula do cara apaixonado que desliga o cérebro e passa a, praticamente, andar em quatro patas. Agora, o fato de haver uma canção com essa letra não é o problema. O problema é ver milhares de adolescentes pautando as suas vidas em letras de música como essa.

Uma canção como expressão do compositor nunca deve ser censurada, mas quando expressa uma cultura, deve ser questionada. E é isso que eu estou fazendo aqui, questionando a cultura da paixão. Não existe nada tão nocivo ao ser humano como a paixão.

Por paixão você mata e morre, faz loucuras que não faria se não estivesse apaixonado. O ciúme também vem da paixão, e por causa dela, muitas pessoas se colocam dispostas a fazer literalmente qualquer coisa, e nesse “qualquer coisa”, cabe muita matéria pra página policial.

A paixão e a razão não andam juntas.

Mas a saída também não é se tornar uma pessoa racional, do tipo que não sente nada e analisa tudo. A saída é se autoconhecer de tal forma, que você possa administrar o que sente. Isso é inteligência emocional por excelência.

Por si só, nenhum sentimento é realmente bom ou mal. O que fazemos com ele, e pra onde o direcionamos é um problema. Amar a coisa errada pode ser ruim, enquanto que odiar a coisa certa pode ser bom. Se você organizar seus sentimentos, e administrá-los de forma inteligente, assumindo o controle da sua vida, não vai mais poder compor sertanejo universitário, mas vai ter paz na vida.

Apaixone-se sim, mas não perca o controle, nem a individualidade. Não troque o seu destino pelo de ninguém, ainda que seja a pessoa mais incrível do mundo. O destino dela é só dela, e o seu é só seu. O mundo só está essa bagunça toda porque a gente não vive o que tem que viver, pra ficar brincando de se apaixonar, perdendo rumo como cachorrinhos no cio.

Não troque a sabedoria das mil estrelas pelo apelo emocional da lua. Isso é bonito de dizer, mas é altamente nocivo à consciência e a vida.

Emocione-se sempre, mas com inteligência!


Giordano Nârada

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dinheiro não traz felicidade, disse o pobre infeliz


Dinheiro não traz felicidade, disse o pobre infeliz.

Felicidade é o nome daquilo que você sente quando realiza um desejo. Qualquer desejo. Seja um desejo simples, como tomar um sorvete de flocos com doce de leite em uma noite quente, seja um desejo mais complexo, como ter um filho. Felicidade é o alvo da realização de um desejo, e não existe felicidade sem isso. Algumas pessoas aprendem a se contentar com o que tem, enquanto outras têm desejos tão simples que conseguem ficar felizes por boa parte do tempo, o que pode dar a impressão de que é possível SER feliz, e não apenas ESTAR. Mas seja lá qual for o nível de simplicidade ou complexidade dos seus desejos, a realização deles é que é a responsável sua felicidade.

O contrário também é verdadeiro. A não realização dos desejos é a responsável pela nossa infelicidade. É o que chamamos de frustração. Sonhamos, traçamos metas, planejamos e batalhamos para conseguir realizar nossos desejos, mas quando não conseguimos, nos frustramos. Ficamos infelizes.

Agora, o dinheiro é um dos principais agentes transformadores de desejos em realidade. Claro, existem outros, mas não tão eficazes quanto o dinheiro. É por isso que gastamos a maior parte das nossas vidas em busca de dinheiro, porque na verdade, estamos em busca de felicidade.

Quem diz que dinheiro não traz felicidade, geralmente é quem tem pouco dinheiro, ou quem um dia teve muito dinheiro, mas perdeu. Quem tem um bom dinheiro geralmente discursa dizendo que dinheiro não é tudo, mas não diz que dinheiro não traz felicidade. Por de fato traz.

É o dinheiro que realiza 98% dos desejos de quem tem dinheiro, e os outros 2% ainda são realizados com uma parcela de ajuda do dinheiro.

Portanto, a questão não é se o dinheiro traz ou não felicidade. A questão é, quem vai servir quem quando a felicidade chegar?

Por muito tempo foi dito que o dinheiro corrompe as pessoas, mas isso não é verdade. O dinheiro não corrompe ninguém, mas revela o caráter de quem o possui. Não só revela, como potencializa também. Então, quem tinha uma tendência a ajudar as pessoas antes de ter muito dinheiro, passa a ajudar mais. Quem tinha uma tendência a prejudicar as pessoas antes de ter dinheiro, passa a prejudicar mais. Agora note que eu disse “tendência”. Dou ênfase a isso porque geralmente ninguém nota isso e tais pessoas até que ela tenha adquirido o poder que o dinheiro traz. É aí que o caráter fica evidente, e algumas pessoas se surpreendem, porque não haviam notado determinada característica na pessoa que até então, não tinha dinheiro.

Além dessa questão do caráter, tem a questão da personalidade. Por mais que a pessoa tenha um bom caráter, se ela não tiver uma personalidade forte, uma mente forte, ela vai se tornar escrava do dinheiro. E o que é para existir a serviço do ser humano, passa a existir como senhor. Uma inversão de papeis desastrosa.

O cenário ideal é que, quem adquire poder financeiro tenha personalidade para mostrar quem é que manda. O dinheiro precisa ser um escravo de quem o detém. Nada de dedicar a vida ao dinheiro, mas dedicar o dinheiro a vida. E se isso acontecer, se o dinheiro passar a servir ao seu dono, vai sim trazer felicidade, porque vai realizar desejos. Mas essa felicidade vai ser permanente? Não.

Não existe felicidade permanente porque não existe desejo realizado que nos satisfaça plenamente. Para cada desejo realizado, existirá pelo menos mais um novo desejo nascendo.

Então, o que nos resta fazer? Aceitar que somos um poço sem fundo dos desejos e viver para realizar o máximo deles? Nada disso.

Nenhum desejo tem o poder de fazer de você uma pessoa realizada, mas existe algo que é capaz de fazer isso, e esse algo é a Vontade. Você pode ler sobre a diferença entre desejos e Vontade CLICANDO AQUI.

No mais, não tenha medo do dinheiro. Nem use um ditado bobo como “dinheiro não traz felicidade” como desculpa para continuar vivendo uma vida mediana, daí pra baixo. Dinheiro traz felicidade SIM, e quem tem, geralmente é mais feliz do que quem não tem. Mas a minha questão aqui é outra. Será que felicidade, é realmente o que deveríamos buscar na vida? Existiria alguma coisa na vida que seria superior a felicidade?

A resposta é SIM, mas isso é assunto pra outro texto. =)

Giordano Nârada

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Quando o poço está pronto, a água aparece!


Quando o poço está pronto, a água aparece. Mas para o poço ficar pronto, é preciso cavar bem fundo e no lugar certo.

Todo mundo quer beber água do poço, mas poucos são os que têm disposição para cavar. E ainda que existam alguns poucos com disposição para cavar, muitos desses poucos não fazem a menor ideia de onde cavar. Então se esforçam com vigor, cavam cisternas profundas até atingir a exaustão, mas frustram-se por não encontrar o que estavam procurando.

Raros são os que sabem onde cavar.

Não basta desejar a água, é preciso cavar o poço. Mas também não basta fazer buracos no chão, e preciso saber onde cavar.

Descobrir o que fazer da vida, para alguns, foi moleza. Houve uma meia-dúzia de pessoas no mundo que com uns 07 anos de idade já sabiam o que queriam ser quando crescer, e realmente se tornaram o que disseram que seriam. Mas essa não é a regra, é a exceção. A regra é que a maioria de nós não tem a menor ideia do que fazer da vida, e nem tampouco por onde começar a procurar. Mas hoje eu vou dar uma dica de como você descobre o que você nasceu para fazer da vida.

Tudo neste universo existe para satisfazer uma necessidade. Seus olhos existem para satisfazer a necessidade do seu corpo de ver. A gravidade existe para satisfazer a necessidade de manter as coisas em ordem sobre a face da Terra. As sementes existem para satisfazer a necessidade de multiplicar as espécies de vegetais, e o ser humano também existe para satisfazer uma necessidade do universo, que é transformar vida-energia em vida-consciência. Agora, entre as pessoas também existem necessidades a serem supridas pelas próprias pessoas, e é nesse ponto que você entra. Você existe para satisfazer uma determinada necessidade humana, ou pelo menos parte dela.

Agora, como descobrir minha vocação? O que eu nasci pra fazer?
Bom, a dica de hoje para esse tema é: DESCUBRA O QUE LHE DESPERTA IRA!

O problema do mundo que lhe deixa mais irritado, tem a ver com aquilo que você tem dentro de si para resolver, primeiro dentro de você, depois no mundo.

Uma pessoa que sempre se vê absolutamente indignada com o fato de haverem pessoas ainda não alfabetizadas no mundo, demonstra que sua vocação tem a ver com educação, ou justiça social. Já aquela pessoa que se irrita profundamente quando vê alguém pedindo dinheiro na rua, pode ter como vocação atuar na questão social, mas também pode estar relacionado à criação de ferramentas para geração de riquezas, como por exemplo, um palestrante motivacional ou um coaching.

Ter consciência do que você sente e do “por que” sente, é uma ferramenta importantíssima para descobrir sua vocação, especialmente a ira.

Uma coisa que acontecia muito comigo no passado era que, sempre que eu ficava muito irritado com alguma coisa relacionada ao trabalho, eu alcançava um resultado extraordinário. O que acabou me chamando a atenção para a importância e o significado da ira. Mas como eu estava trabalhando na coisa errada, a potência que a ira direcionada me dava me impulsionava para longe de onde eu deveria ir. O sentimento certo direcionado para a coisa errada causa desvios no caminho. Mas depois eu entendi e voltei.

Meu ponto hoje aqui é que, quem busca se conhecer, colhe os bons frutos disso. A vida não faz nenhum sentido enquanto você não sabe quem é. Mas quando você descobre, não só quem é, mas a que veio, a vida passa a ser a viagem mais fantástica que alguém poderia fazer.

Tenha disposição para cavar fundo dentro de si mesmo, observando especialmente o que lhe causa maior ira. Não para dar vazão a ela, mas para entendê-la. Isso é saber onde cavar.

Existem outras maneiras de saber onde cavar, mas isso fica para outro momento. Por agora, reflita sobre isso.

Quando o poço está pronto, a água aparece.


Giordano Nârada

sábado, 23 de novembro de 2013

A JORNADA DO PEREGRINO


Não se encontra o equilíbrio sem conhecer os extremos, e não se conhece os extremos sem correr o risco de não voltar de lá.

Cada peregrino tem sua jornada, e cada jornada tem o seu tempo, seu ritmo e seu propósito. Nem sempre o propósito é chegar a algum lugar, e às vezes, chegar é o que menos importa.

Desertos conhecem extremos. De dia, sol escaldante, de noite, frio congelante. E são estes mesmos desertos que recebem os peregrinos, que quase sempre não passam no teste, por não saberem lidar com extremos. Toda a existência se trata disso: extremos.

Bem e mal, feio e bonito, forte e fraco, rico e pobre, luz e trevas. Cada um destes pontos é um extremo de uma só coisa, e um não existe sem o outro. No dia em que o mal deixar de existir, o bem também deixará, porque são apenas um, não dois. Mas o caminho do meio existe.

A Jornada do Peregrino é o perambular por extremos até encontrar o equilíbrio entre os dois. É descobrir entre os sons, o silêncio; entre as paixões, o amor; entre os desejos, a vontade. É a missão do Peregrino equilibrar-se entre os extremos. Falhar nesse trabalho é o que nos faz conhecer a palavra sofrimento.

A tristeza é como areia movediça, e a alegria como um canto de sereia. As duas são armadilhas da existência, distrações do que é a nossa real missão.


Conheça os extremos sem medo, mas não se apaixone por eles também. Nem alegria, nem tristeza; nem luz, nem trevas; nem prazer, nem dor; nem perdão, nem rancor. Quem encontra o caminho do meio, encontra a si mesmo, e descobre que isso basta.

Giordano Nârada

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

MARCAS NA VIDRAÇA

Existem muitas maneiras de se contar uma história. E dependendo da maneira que você escolhe contar esta história, ela pode ter o significado que realmente tem, ou ganhar um outro, de acordo com o objetivo, ou com o ponto de vista do contador de histórias.


Uma religião é isso. Uma parte de uma história contada por todas as religiões, crenças e culturas, acrescida do ponto de vista e do objetivo de quem conta a história.


Não vejo problemas em você contar apenas parte de uma história. Também não vejo problemas em se acrescentar o ponto de vista do contador da história àquela parte da história. Mas vejo problemas quando o contador de histórias diz que aquela parte da história é, na verdade, a história completa, e acrescenta ainda que o seu jeito de contar àquela história é o único jeito de se conhecer a história verdadeira.


A verdade está escondida atrás de uma vidraça, toda marcada com as impressões digitais dos que contam histórias à respeito dela. E já são tantas as marcas, que todas as vezes que alguém tenta enxergar a verdade, enxerga apenas os contadores de histórias. E quem se arrisca a contar a história da verdade de maneira diferente, só tem conseguido contar a história nas marcas dos dedos dos contadores de história na vidraça.


Mas isso tudo é meio óbvio pra todo mundo, eu acho. O que ainda não está óbvio é... COMO É QUE A GENTE LIMPA ESSA VIDRAÇA? OU, AINDA, COMO É QUE A GENTE QUEBRA ESSA VIDRAÇA?

Giordano Nârada

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Escrever é isso, eu acho.



Escrever é como fazer um download da alma. É condensar uma ideia. É mergulhar no oceano das emoções, dos sentimentos, do conhecimento e da experiência, e voltar à superfície com algumas porções de tesouros escondidos nos porões dos muitos navios afundados ali.

Escrever é parir. É dar forma externa a uma parte de você que, na maioria das vezes, não se deixaria ver de outro modo.

Escrever é se mostrar.

Quando eu escrevo posso criar o que eu quiser, o mundo que eu quiser, do jeito que eu quiser. Se eu quiser criar um mundo cor de rosa em que os carros voam de cabeça para baixo, eu posso fazer. Na verdade, acabei de fazer.

Quando eu escrevo, sou a própria divindade criando universos inteiros a partir do nada. E o nada, nesse caso, é a representação de uma ideia. O que me faz pensar que talvez esta seja a origem de tudo: UMA IDEIA!

O limite da escrita é o limite da imaginação de quem escreve. Nem mesmo as palavras limitam a escrita, pois caso não se encontre as palavras certas para expressar o que se deseja, é possível criá-las. Na escrita, tudo o que eu puder imaginar, eu posso fazer.

Escrever é ser um criador de universos.

Segundo Neruda, escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula, termina com um ponto final, e no meio coloca as ideias. 

O difícil é organizar as ideias.

Tenho a impressão de que toda a ideia quer ser vista. Seja escrita, desenhada, construída, executada, ou qualquer uma das inúmeras formas de se externar uma ideia. Talvez seja por isso que às vezes as coisas fiquem um tanto quanto confusas, dando a impressão de que as ideias não surgem. Talvez não seja porque elas não vieram, mas porque todas elas estejam se estapeando pra serem vistas, querendo um pouco de atenção.

Certo dia, uma ideia esbarrou em mim na rua. Fiquei bravo e gritei com ela, dizendo que ela deveria prestar mais atenção por onde anda. Alguns quarteirões depois, percebi que não foi a ideia que esbarrou em mim, mas eu é quem esbarrei nela. Voltei para tentar me desculpar e quem sabe convencê-la a tomar um café comigo, mas ela se recusou até mesmo a falar comigo, e sumiu no seu caminho, me deixando envergonhado e frustrado no meio da rua.

Ideias são temperamentais.

Escrever é fazer com que aquela ideia em que esbarrei na rua se apaixone por mim, faça amor comigo e me dê filhos, transformando uma página em branco em um universo inteiro, onde cada ideiazinha nascida dessa relação cresce, se apaixona por outra ideia, e cria uma outra ideiazinha que também vai crescer até encher mundos inteiros.

Um livro é um mundo inteiro, criado a partir de um esbarrão na rua, entre o autor e uma ideia.


Escrever é meio que isso, eu acho.

Giordano Narada

terça-feira, 5 de março de 2013

Outro dia me procurei por aí...



Outro dia me procurei por aí, mas não me encontrei. Perguntei em todos os lugares, mas ninguém soube de mim. No caminho, encontrei um homem chamado Cristão e perguntei se ele sabia onde eu estava. Ele me disse que se eu encontrasse a Cristo, me encontraria também. Segui pelo caminho que ele indicou, cada detalhe com cuidado. Depois de muito tempo caminhando, descobri que estava andando em círculos. Não encontrei, nem a Cristo, nem a mim.

Decidi tentar outros caminhos, me procurar em algum outro lugar. O que não faltou foi gente pra me ajudar. Havia um cara chamado Esoterismo, misterioso e atraente, que parecia saber o caminho. Mas logo descobri que ele estava mais perdido do que eu. Mesmo assim, Esoterismo me apresentou muita gente interessante. Seus vários amigos do Oriente também tentaram me ajudar, mas no fim, todos estavam perdidos também. Porém, depois de uma longa conversa com todos eles em uma noite qualquer, me disseram que talvez eu não estivesse perguntando às pessoas certas, afinal, nenhum deles sabia como eu era, já que nunca me conheceram. Com então poderiam dizer onde eu estava?

Então entendi que deveria perguntar onde eu estava para quem me conhecia de verdade. Mas quem me conhece de fato?

De um estalo, enquanto pensava sozinho a respeito dessas coisas, soube o que tinha que fazer. Só havia uma pessoa que já havia me visto com sou de verdade e me conhecia por completo: EU MESMO, só que no futuro.

Claro, como eu não havia pensado nisso antes?

Coloquei meu casaco e parti em direção ao futuro à procura de “EU MESMO”. Cruzei desertos e mares, montanhas e vales. Enfrentei perigos, espadas, frio e fome. Conheci muitos lugares lindos também, e enfim, cheguei ao meu destino. O Futuro.

Chegando ao Futuro, fui recebido por “EU MESMO”, em um lugar solitário. Ele, aproximando-se de mim, não me permitiu que falasse qualquer palavra, pois ali elas não eram necessárias. “EU MESMO” me abraçou, e no calor de meu próprio abraço, simplesmente compreendi:

“Você está onde não está. Nem aqui, nem lá, mas em movimento. Portanto, estar é o verbo errado. Ser é o correto”.

Então tudo ficou claro. Eu nunca poderia ter me encontrado com a ajuda de nenhum dos amigos que conheci pelo caminho, porque nenhum deles é. Meus amigos estão, mas não são. Já eu, embora esteja hoje aqui e agora, amanhã já não estarei aqui. Não estarei porque sou, sempre em movimento.

Então, finalmente descobri que o que eu precisava achar era a minha busca, e agora que encontrei, posso continuar procurando.

Ser é estar em movimento, seguindo sempre para onde não estou, mas apenas sou.

Giordano Narada
Itapema, Sc
06/03/2013
00:20 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Um sábio chamado Ninguém!



Ninguém é especial.

Quando conheci Ninguém, fui surpreendido com sua humildade e sabedoria. Certa vez perguntei a Ninguém qual era o sentido da vida. Ninguém me respondeu que conhecer o sentido da vida era inútil, mas sentir a vida poderia dar algum sentido a ela.

Ninguém tem todas as respostas.

Outro dia perguntei a Ninguém qual era a religião de Deus, sua resposta foi simples, porém desconcertante: Deus é ateu, pois não acredita em outro deus a não ser Ele mesmo.

Ninguém sabe tudo.

À medida que o conheço, tenho cada vez mais certeza de que Ninguém sabe a verdade. Com tantas portas abertas, tantos sábios e filósofos, tantos doutores e mestres, ouso afirmar que apenas Ninguém é capaz de saber tudo.

Giordano Nárada
Itapema, Sc
20/01/2013
23:19

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A verdade sobre a Verdade!





“Toda verdade é relativa a nossa experiência individual e pessoal, o que passar disso é teoria e possibilidade, mas não verdade.

E se toda verdade é pessoal, não temos o direito de impor nossa verdade sobre outro indivíduo.

Encontre sua própria verdade e a viva para você e para aqueles que, como você, confessam a mesma verdade.

Quanto aos que possuem uma verdade pessoal diferente da sua, respeite-os como se eles possuíssem a parte que lhe falta, pois na verdade assim o é.”

Giordano Narada

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

QUER SER FELIZ OU QUER TER RAZÃO?





Ter razão é uma das necessidades básicas de todos nós. Em alguns casos, comer e beber vem em segundo e terceiro plano quando se trata de ter razão. Discutimos, brigamos, rompemos relacionamentos amorosos, estragamos amizades de anos, abrimos mão de coisas importantes, tudo para ter razão, para vencer uma batalha imaginária. Por vezes somos até cruéis com as pessoas que amamos porque queremos, a todo custo, sermos os donos da razão, mas será que isso é tão importante assim?

Geralmente, as pessoas que fazem questão de ter razão são aquelas que medem o mundo a partir de si mesmas, colocando-se como parâmetro para os outros, esquecendo que, por mais que estejamos juntos, no mesmo lugar, trilhamos caminhos diferentes para chegar até aqui, e é o caminho que nos molda. É ele que forja o nosso caráter, e que por sua vez, determina nossas ações e reações. Porque o meu caminho para chegar até aqui foi diferente do seu, minhas decisões também serão diferentes das suas, e isso nem sempre quer dizer que você ou eu estamos errados.

Existe uma coisa chamada PARADIGMA, que todos nós temos, mas são poucos os que tomam consciência de que isso existe. Por causa da não consciência do paradigma, nos sentimos no dever de fazer com que as outras pessoas pensem como nós, e acabamos por nos tornarmos incapazes de enxergar a beleza da diferença no outro. É a diferença entre nós que nos faz evoluir.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

EM MEIO AO CAOS

Em meio a tragédias e becos sem saída, lápides e desonestidade, abusos e dores de estômago é que a vida acontece. Sem os safanões da vida meninos não viram homens, a tecnologia não avança, a gente não evolui nem como indivíduo nem como coletividade, enfim, a vida não acontece sem a vida como ela é.

Aliás, evolução é isso. Seja sob a ótica de Lamarck, com a habilidade humana de mudar, adaptando-se ao ambiente, seja sob a ótica de Darwin, com o ambiente selecionando os mais adaptáveis, excluindo os demais, a vida evolui. E o que provoca essa evolução é o stress, são as dificuldades e obstáculos com que nos deparamos ao longo da nossa história como espécie. É especialmente o “osso” da vida que nos obriga a crescer.
Penso que, assim como é com a espécie inteira,  como indivíduos a dinâmica é a mesma. Tipo, “o que não nos mata nos torna mais fortes”. Em cada época da vida encontramos dificuldades que em princípio parecem enormes, mas à medida que vamos nos aprendendo, as dificuldades viram experiências e os próximos obstáculos vão deixando de ser tão assustadores assim. Aí tudo fica calmo por um bom tempo até que surgem aquelas catástrofes da vida. Aquele tipo de evento que acontece poucas vezes na história de uma pessoa, mas que é suficientemente grande para determinar o rumo de uma vida inteira. É em momentos como esse que nossas vidas são decididas e descobrimos se vamos evoluir ou morrer, melhorar ou cair na obsolescência, ser mais ou tomar o trem da inexpressividade de uma existência desprovida de significado, tornando-nos gente invisível quase que até pra nós mesmos. E assim a vida vai acontecendo, no caos.
É como se a vida estivesse em busca apenas de guerreiros, não dando lugar a nada e nem a ninguém que seja frágil demais. A vida bate forte e não escolhe em quem bater, todo o mundo leva. O rico e o pobre, o novo e o velho, homem e mulher, todo mundo apanha da vida, sem exceção. Agora a pergunta que fica não é quem vai apanhar mais, mas quem vai permanecer de pé quando acabar?
De posse deste entendimento concluo que o caos é o líquido amniótico da minha existência, e antes de ser parido pela vida, para ela mesma, serei curtido no caos, como salsicha no vinagre. E quando esse parto acontecer sairei de lá com o sabor do bom combate, o cheiro da fumaça do fogo que me decompôs e a forma da fôrma do tempo, que me recompôs, mas não na mesma forma de antes.

E assim a vida segue, sendo vida em meio ao caos.

Giordano Narada
26/01/2012

domingo, 18 de março de 2012

É AGORA! - Um pensamento sobre a ilusão do tempo


Tempo é uma unidade de medida. Um dia é o correspondente a uma volta que a Terra dá em torno de si mesma. Um ano é a unidade de medida que corresponde a uma volta que a Terra dá em torno do Sol. Horas minutos e segundos são subdivisões destas unidades de medida. Isso é muito fácil de entender em teoria, porém na prática o que fazermos é ignorar o fato descrito acima e nos comportamos como se o tempo fosse uma entidade viva superior a nós que nos controla e determina quase tudo em nossas vidas.

Por causa do tempo nós envelhecemos, esquecemos, sentimos saudade, cantamos parabéns, vamos a funerais, e fazemos ou vivemos uma série de outras situações sobre as quais, em primeira análise, não temos controle. Mas será mesmo que não temos controle sobre o tempo?

Se tempo é uma unidade de medida usada para medir o movimento da Terra em torno de si mesma e em torno do Sol, logo, tempo é a constatação de movimento. Sabendo disso, quando olhamos para o que chamamos de passado, presente e futuro podemos concluir que passado é um ponto onde a Terra esteve antes, presente é onde a Terra está agora, e futuro é onde a Terra estará no próximo instante. Isso também é fácil de entender, porém é quando trazemos este conceito para um contexto mais interno e subjetivo é que a coisa começa a ficar mais interessante.

Como é fato que o tempo é a constatação do movimento da Terra, também é correto dizer que se a Terra parar, o tempo para. Porém será que poderíamos dizer que se a Terra parar o Homem deixa de envelhecer? A resposta é SIM. Sabe-se que quando um homem é enviado ao espaço, por exemplo, seu metabolismo desacelera e seu “tempo” físico-corporal é alterado. Isso nos mostra que, pelo menos em teoria, é possível desacelerar o tempo se desaceleramos o movimento. É claro que isso não seria possível no caso do nosso planeta, pois a própria Terra deixaria de existir, já que ela só é o que é devido ao movimento que ela faz. Mas o meu ponto é: já que tempo é movimento, ou a constatação de movimento, o mesmo princípio poderia ser aplicado ao que chamamos de tempo nos campos mais subjetivos? Digo, quando falamos que “só o tempo pode curar” ou “não é o tempo certo para isso”, seria o caso de esperarmos “chegar a hora” ou seria o caso de “fazermos o tempo”?

Pensando sobre o que escrevi resumidamente acima cheguei a duas conclusões:

1 – Não existe passado ou futuro, SÓ EXISTE O AGORA.

Tanto em se tratando do movimento da Terra quanto em se tratando do movimento de consciência de cada indivíduo, ou mesmo como coletividade, o que fizemos antes não podemos mais alcançar porque se foi e o que faremos depois não poderemos alcançar porque ainda não foi criado. Desta forma a única coisa que nos sobra é o que está acontecendo aqui e agora. Se assim é, gastar energia tentando reviver o passado ou criar o futuro é o mesmo que enxugar gelo: totalmente inútil porque nunca vai acontecer. Você nunca vai conseguir reviver o passado e nem criar o futuro, porque não há forma de voltar ao passado e o futuro nunca chegará, pois quando ele chegar, será o seu presente. Não importa o que façamos, sempre estaremos no presente, aqui e agora.

Depois de entender isso, o que sobra senão viver tudo o que podemos viver hoje?

2 – O tempo não passa, NÓS É QUE NOS MOVEMOS.

Se você resolver ir para uma caverna em uma montanha longe de tudo e de todos e simplesmente ficar ali parado o que acontecerá? Morte. É isso que acontecerá. Se você não se movimentar de algum modo só o que lhe sobrevirá é a morte. Sem movimento o homem morre, ainda que a Terra continue girando. Isso significa que não é o movimento da Terra que determina o nosso tempo, mas sim o nosso movimento consciente é quem determina o nosso “tempo” e, é claro, qualquer movimento que fazemos é fruto, na grande maioria dos casos, de uma decisão individual. Se isso for verdade, e eu creio que é, nosso tempo é criado todos os dias pelas decisões que tomamos, que podem ter conseqüências rápidas ou demoradas, mas sem nenhuma dúvida as conseqüências virão.

Agora eu lhe pergunto (e a mim também): Se nós decidimos o nosso tempo através de nossos movimentos conscientes e a única coisa real, temporalmente falando, é o momento AGORA, o que eu faço com meus planos, sonhos, desejos e saudades?

Eu não respondo por você, respondo por mim. E refletindo sobre tudo isso eu decidi que:

1 – Não vou mais sentir saudades
Se alguma coisa me faz falta, decido e trabalho para trazer o que me faz falta para perto meu aqui e agora. Se não for possível, não gastarei minhas energias pensando ou desejando isso.

2 – Não vou mais sentir medo
Pois o medo é uma sensação ou um sentimento que se antecipa ao mal ou bem que virá. Sim, algumas vezes eu tenho medo do que é bom. Ninguém sente medo de algo que já aconteceu, mas sim do que acontecerá, porém o futuro não existe nem nunca existirá, então não há razão para medo.

3 – Não deixarei nada para amanhã.
Tudo o que eu quiser fazer, farei hoje. Quando o amanhã for hoje, decidirei novamente.
Viverei apenas o HOJE. Não chorarei nem celebrarei o passado, nem tampouco me importarei em conhecer antecipadamente o futuro, mas viverei COMPLETAMENTE AQUI E AGORA.

4 – Me permitirei mudar de idéia
Como não conheço o futuro não sou capaz de saber quais são as decisões que melhor contribuirão para criar o futuro que gostaria, mesmo porque não há futuro, mas apenas o presente. Deste modo, a partir deste entendimento, me reservo o direito de mudar de idéia quantas vezes julgar necessário para criar, não o meu futuro ideal, mas o meu presente completo.

5 – Serei totalmente quem eu sou
Não me permitirei ser ou parecer alguém que não sou. Nem mesmo tentarei ser um esboço de alguém que gostaria de ser no futuro, pois nunca serei ninguém além de mim mesmo. Então farei apenas o que quero de fato, direi o que tenho a dizer da maneira que sei, sem medo e sem culpa, pois sei que nasci para ser quem sou e o meu momento é agora.

Sim eu posso continuar a criar esta lista até se tornar um grande livro de decisões que eu nunca vou reler, mas acho que vocês já pegaram o espírito da coisa, e eu também. Então quero concluir dizendo que nunca será perda de tempo investir no seu AGORA, mas sempre será inútil tentar resgatar o passado ou alcançar o futuro, pois tudo o que você encontrará na vida será O ETERNO AGORA.

Pense, reflita e aja, mas faça isso AGORA!

Giordano Narada
27/12/2010

SONAMBULISMO EXISTÊNCIAL!?


Esta noite tive um sonho um tanto confuso, com muita informação, muita gente que eu não conheço, mas no sonho eu conhecia todo mundo. Tudo o que acontecia era um absurdo, mas só achei isso quando acordei. Enquanto estava sonhando tudo era normal e comum. Como pode isso? O absurdo como normalidade quando em estado “suspenso” de consciência. Será mesmo que quando dormimos estamos inconscientes?

De qualquer modo, quando dormimos, sonhamos, as vezes nos lembramos, as vezes não. Agora fico me perguntando por que será que, quando sonhamos, nossa percepção das coisas fica tão alterada? Por que será que os limites são tão alargados e nosso senso de normalidade não acusa nada de estranho? Quando sonhamos podemos voar, andar sobre as águas, viajar milhares de quilômetros em segundos, experimentar as maiores aventuras, enfrentar os maiores monstros e até reviver os mortos. Mas, quando acordamos, nos damos conta de que foi apenas mais um sonho absurdo e nosso senso de realidade e normalidade acusa que o que aconteceu não foi real.

O problema é quando temos um daqueles sonhos que parecem ser tão reais a ponto de, quando acordamos, temos a impressão de que ainda não acabou. É como se o sonho e a realidade se fundissem e não fossemos capazes, pelo menos por alguns segundos, de diferenciar um do outro. Nessa hora o que eu me pergunto é: eu realmente tive um sonho esta noite e agora estou acordado, ou estava acordado e agora é que estou sonhando? E se a realidade for o que vivemos quando sonhamos e a vida que temos como nossa realidade não passar de um sonho? Hein?

Algumas vezes, enquanto eu sonhava, percebi que estava sonhando e consegui controlar algumas coisas. Certa vez sonhei que estava mergulhando, quando percebi que era um sonho, entendi que podia continuar mergulhando sem necessidade de respirar. Foi massa! =). Outra vez sonhei que estava sendo assaltado, percebi que estava sonhando, fechei os olhos e acordei. Ficou tudo bem! Já pensou se descobríssemos que vivemos em um grande sonho e podemos controlar certas coisas?

Se isso tudo aqui for um sonho, talvez possamos sonhar com a cura de todas as doenças, a extinção da violência, a morte não precisaria mais existir, fome nunca mais, ninguém mais precisaria de dinheiro, pois cada um poderia criar tudo o que precisasse em seu sonho.

Mas e se não soubermos sonhar? E se só soubermos criar pesadelos?

Talvez isso esteja acontecendo agora mesmo. Talvez estejamos realmente em um sonho coletivo, onde projetamos todas as nossas enfermidades de alma para o exterior criando a existência como pesadelo compartilhado. Talvez sejamos arquitetos de uma assombração psico-espiritual que se manifesta na forma do que chamamos de “vida real”, e quando dormimos nosso inconsciente viaja para os bastidores de tudo isso. Lugar onde, pelo menos por alguns segundos ou minutos, rompemos muitos de nossos limites e degustamos levemente o sabor do potencial humano-divino dentro de nós.

Às vezes tenho a sensação de que sou o único ser consciente do universo, que todas as outras pessoas estão no piloto automático, como que programados para fazer o que fazem e repetirem, vez após vez, as mesmas coisas incansavelmente como pequenos robôs teleguiados por um ser invisível, ou quem sabe por mim mesmo, se levar em consideração que este sonho pode ser só meu. Se for verdade, se este sonho for realmente só meu, isso significa que estou sozinho aqui. Mas se for um sonho ou pesadelo coletivo, isso significa que, para mudarmos nossa realidade ou despertarmos do sono, temos que fazer isso juntos. Mas como?

Bem, o fato é que todos nós sonhamos, quer acordados, quer dormindo. O que ainda não sei é se, neste exato momento, estamos acordados ou dormindo. O que você acha?

Giordano Narada
01/06/2011

O NADA ABSOLUTO!


O que é o Nada? Se é que podemos dizer que Nada é...
Nada é o que não é, embora o Nada seja a origem de tudo
Sim, porque antes do início o que havia além de Nada?

O Nada é perfeito, absoluto
Sem começo nem fim, continuo, infinito
O Nada não existe, pré-existe

O Nada é sem forma, vazio, abstrato
Não tem dimensão, apenas posição. Posição?
Sim, porém indefinida, já que não há nada além de Nada

O Nada tem muitos nomes, mas nenhum deles o descreve
O indescritível se parece consigo mesmo, e quem o vê desaparece
Quem diz que O viu, mentiu, quem diz que não O viu, mentiu igualmente

Nada é absoluto, e somente ele
Pai de tudo o que é sendo exatamente o oposto
Sua prole O nega, a criatura O rejeita inaceitável não-ser

No final da jornada Nada o aguarda, o zero após o nove
Fim de uma existência, início de outra ou quem sabe apenas nada
O Nada Absoluto

Giordano Narada
16/11/11