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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A Harmonia das Esferas


Um fone de ouvido, tocando a música certa e no volume certo, pode se transformar em um portal dimensional. Enquanto escrevo estas linhas estou ouvindo Too High do Dave Mathews, quase estourando meus tímpanos, como um artifício para criar a ambiência necessária para escrever. Eu tenho uma relação muito estreita com a música.

Já notaram que todas as religiões, seitas, ou qualquer coisa ligada a algum tipo de culto ou busca espiritual, sempre tem algum tipo de ritual que envolve música? Isso é porque a música tem algum segredo que, seja lá qual for, é muito poderoso.

Diz-se que Pitágoras só aceitava ensinar a um discípulo que conhecesse bem a Matemática e a Música. Dizia que a matemática e a música juntas tem o poder de revelar os segredos do universo.

Beethoven acreditava que suas sinfonias eram, literalmente, a música das esferas. Acreditava que quem pudesse de fato ouvir e compreender o significado de sua obra, poderia também ouvir o som dos astros e estrelas, e compreender a dinâmica do movimento universal. Aliás, uma curiosidade sobre Beethoven é que ele tinha a capacidade de ver a música em cores. Era por isso que ele não precisava ouvir as canções. O nome que se dá a esse fenômeno é Sinestesia.

Muitas músicas que se houve hoje em dia não passam de barulho irritante, é verdade. Mas existem algumas músicas, algumas melodias e algumas interpretações que penetram a alma. Aquilo arrepia o corpo, tira lágrimas dos olhos, algumas vezes nos obriga a dançar, nem que seja só mexendo o pezinho. Muitas vezes transforma o humor, como se fosse um santo remédio para as emoções mais caóticas. Enfim, existe um mistério na música, para o bem e para o mal.

Sim, porque a música pode ser usada tanto como instrumento de libertação, quanto como mecanismo de controle. A música está no exército, durantes o treinamento dos militares. Também está nas campanhas políticas, bem como nos comerciais de TV. A música está em todos os lugares, o tempo todo, e se você não tomar cuidado, por causa de uma música toma decisões que não queria tomar.

A música tem esse poder, o de programar e reprogramar as emoções. Eu mesmo uso isso a meu favor, como agora. Eu precisava escrever, mas estava cheio de coisas na cabeça. Então coloquei uma playlist que já tenho preparada, que reprograma as minhas emoções. Me deixa mais atento e focado. Mais cheio de energia e menos preocupado com outras coisas. Enquanto estou ouvindo determinadas músicas, é como se só existisse o meu mundo.

Pensar sobre como a música funciona é muito interessante. Mas tem uma coisa que me intriga mais. De onde veio a música? Quem foi o primeiro a ouvir, ou compor? Qual  foi o primeiro instrumento musical? Às vezes eu me pego pensando que, se existe alguma coisa próxima ao conceito de Deus, essa coisa é a música. Se Deus existe, ele é a canção das canções.

Um dia quero ter a minha percepção tão aguçada que possa ver também, como Beethoven via a música. Qual será a cor de um Mi maior? Será que é possível sentir o cheiro de um acorde? Qual será a forma de uma música e suas cores? Um dia desses vou ter essas respostas.

Enquanto isso, preste atenção no que você ouve. O tipo de música que você ouve pode determinar o que você sente, e o que você sente determina o que você decide. E por sua vez, o que você decide determina o que você vive. Seguindo esse raciocínio, o tipo de música que você ouve pode determinar o tipo de vida que você vai viver.

Pense nisso, e use a seu favor.

;)


Giordano Nârada

domingo, 1 de dezembro de 2013

Deus existe, só que ele não sabe disso


Se Deus soubesse que ele existe, o mundo seria bem diferente do que é.

Sim, porque Deus existe, mas não sabe disso. Não sabe porque anda tão ocupado tentando sobreviver,  que esqueceu até mesmo que é imortal. Deus não sabe o que faz.

Quando alguma coisa dá errado para Deus, antes de qualquer coisa, ele procura alguém para responsabilizar. A culpa é sempre do outro. Mas existe outro?

Existe apenas um Deus, mas ele não sabe disso. Na verdade, ele acredita que existam muitos deuses, mas nenhum deles pode ser visto no espelho. Deus é meio bobo. rs.

É como se Deus estivesse meio acordado, meio dormindo, sonambulando na vida enquanto usa o seu poder sem nem perceber. Sabe aquele estado de sonolência que te deixa meio mole, com raciocínio lento, falando um monte de coisas que só faz sentido pra quem está falado, mas quem ouve não entende nada? Pois é, Deus anda meio assim ultimamente.

As coisas acontecem, o caos de instala, a desordem se estabelece como regra, e Deus acha que não é com ele, mas tem fé que um dia algum outro Deus há de vir para resolver todas as coisas. Deus é meio distraído. =/

Querido Deus, se você estiver lendo isso, peço que tente ser menos distraído. Aquele que você vê no espelho todos os dias é o único responsável por tudo o que acontece na vida, e é só ele que pode mudar as coisas. Não existe outro Deus além de você, e não há nada fora de você que seja maior e mais poderoso do que o que há dentro de você. Não fique dando desculpas para si mesmo, tentando se convencer que a culpa é do outro e que você é uma pobre e inocente vítima do sistema porque você não é. VOCÊ É DEUS! Entendeu?

Claro que entendeu, afinal, é com Deus que eu estou falando. =)

Giordano Nârada

quinta-feira, 21 de março de 2013

Será que visitamos outros mundos enquanto dormimos?


Essa noite eu tive um sonho interessante. Na verdade, acho que não foi só um sonho, foi uma visão. Sonhei com um outro mundo, ou talvez fosse o nosso, mas em outro tempo.

Em meu sonho, alguém me contava seu sonho, pra que eu interpretasse. Não sei interpretar sonhos, mas me parecia que, quem estava me contando seu sonho, acreditava que eu poderia interpretá-los. Enquanto esse alguém me contava seu sonho, fui transportado para outro lugar, e como que despertado de um sonho para dentro de outro sonho, acordei à beira de um lago. Não era nem tarde, nem noite. Estava naquele período onde a lua e o sol se encontram. O crepúsculo.

Era um lago extraordinariamente lindo, de águas calmas, porém escuras. Mas não eram escuras por estarem sujas, mas sim, por serem águas profundas. Observei o lago e notei que havia estranhas criaturas se movendo ali. Eram como crocodilos, porém albinos e dóceis. Como uma mistura de crocodilos com golfinhos, ou botos, já que estamos falando de água doce.  Notei que também havia peixes enormes e coloridos, como Carpas gigantes. Os peixes também eram dóceis, e pareciam interessados em mim.

Levantei os olhos e olhei para além do lago. Vi que havia uma grande cidade do outro lado. Havia um aglomerado de prédios enormes, muito próximos uns dos outros. Tive a impressão de que não havia casas naquela cidade, apenas prédios. Os prédios tinham um design futurista, do tipo que se vê em filmes de ficção cientifica, e alguns ainda estavam em construção, perto do lago. Parecia que logo chegariam aos limites do lago e já não teriam mais onde construir.

Olhei para a minha direita e havia uma cabana de madeira. Não condizia com o cenário futurista que havia acabado de notar, mas fazia todo sentido quando eu olhava para o lago.

Olhei ainda para traz de mim, e vi um uma terra vasta, cheia de pequenas elevações, pouquíssima vegetação, e aqui e ali, alguns prédios seguindo o padrão dos que eu havia visto do outro lado do lago, se erguiam como surpresas em um terreno tão irregular. Não havia um padrão de distanciamento entre um prédio e outro deste lado do lago. Era como se alguém houvesse “semeado” os prédios aleatoriamente pro ali.

Olhei pra cima e vi a Lua, e três luzes azuis brilhantes próximas a ela. Perguntei-me se eram estrelas ou planetas, mas não sei dizer o que eram. Vi também o sol se pondo, e havia uma estranha luminosidade azul por todo o lugar. Tanto nos céus, quanto na terra, quanto na água.

Senti que a visão iria acabar. Pedi para continuar vendo, pois havia muito o que explorar. Eu estava curioso pra saber mais sobre o lugar e, não sei por que, mas me pareceu coerente pedir, com se a visão estivesse me sendo dada por alguém. Mas não fui atendido e acordei aqui, em minha casa, com a sensação de ter visitado um outro mundo, ou um outro tempo.

Dizem que quando dormimos, morrermos, ainda que momentaneamente. E que quando morremos nos desprendemos deste mundo e visitamos outros. Porém, quando retornamos, não temos lembranças do que vimos ou experimentamos.

Talvez eu tenha realmente visitado um outro mundo, e tenha me lembrado. Mas por que eu fui até lá? Por que me lembrei de tudo? Quem me levou até lá? Será que um dia vou voltar?

Acho que nunca mais vou dormir sem pensar neste estranho e fascinante mundo que um dia conheci.

Giordano Narada
Itapema, Sc
21/03/2013
22:00