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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Você só tem um dia de vida


Ontem uma pessoa do Twitter sugeriu que eu escrevesse sobre “aceitação de perda”, e também ontem, o pai de um amigo meu, que também me acompanha no Twitter faleceu. Diante disso, resolvi escrever hoje sobre morte.

Eu tenho tatuada no braço a frase memento mori, que significa: “lembra que vais morrer”. Todas as vezes que alguém vê a minha tatuagem, pergunta o significado, e é muito interessante observar as reações. 100% das reações são negativas. Até o sinal da cruz já fizeram depois de eu contar o significado dessa palavra. Mas por que tanto medo da morte? Por que o medo até de falar sobre ela? E esse pavor de perder as pessoas que são importantes para nós?

Bom, não existe apenas uma resposta para essas perguntas, mas eu pretendo ser mais breve hoje, para ajudar os mais preguiçosos a lerem o texto até o final. O fato é que o medo da morte é um mecanismo físico-inconsciente de manutenção da vida. É uma reação química. Por mais que se queira filosofar sobre o assunto, o corpo quer sobreviver, quer se perpetuar, e é por isso que temos medo da morte. É natural.

Agora, uma das coisas mais fantásticas em nós é a capacidade de pensar sobre o que estamos fazendo, de raciocinar e de tomar consciência dos processos que em nós se realizam, para em seguida dominarmos estes processos e os alterarmos conforme os nossos objetivos. Em outras palavras, somos donos de nós mesmos. Bem, pelo menos era assim que deveria ser.

Ter medo de morrer é natural, agora, vencer o medo da morte por meio da consciência da vida física finita, é evolução.

Quando você assume o fato de que vai morrer, a vida toda muda. Você percebe que precisa viver o máximo possível do dia que você tem porque amanhã você pode não estar mais aqui. O medo da morte faz com que você tenha medo da vida também, deixando de viver tudo o que poderia viver para tentar continuar respirando o maior tempo possível.

Mas me diga, qual é o sentido de viver apenas para se manter vivo? Todos os dias gastamos a nossa vida com coisas que não queremos fazer, mas fazemos em nome da sobrevivência. Sobreviver pra que se não vivemos?

Mas até agora eu falei do medo da nossa morte, mas não falei ainda do medo da morte daqueles que são importantes para nós. Essa é outra questão, tão séria quanto a primeira.

Só temos medo de perder aquilo que nos pertence, e mesmo sem perceber, acabamos por nos apossar de outros seres humanos como se eles, de fato, pertencessem a nós. Em nome do amor, nos tornamos donos de outras pessoas, e não admitimos que elas possam ter outras coisas para viver que não nos envolva, que não nos tenha como centro.

A morte de alguém que amamos é extremamente dolorosa, mas geralmente não o é pelo fato de a pessoa ter passado pelo processo da morte, mas sim porque a nossa vida já não é mais a mesma sem aquela pessoa. Então, a fonte do sofrimento não é o amor que sentíamos por quem se foi, mas o egocentrismo sendo revelado no momento em que a nossa vida muda através da ausência de alguém.

Você não tem medo que aquela pessoa morra, você tem medo que sua vida mude.

Você não sabe se morrer é bom ou ruim, porque você ainda está vivo. A única coisa que você sabe é que aquela pessoa estava aqui e agora não está mais. Isso é o seu egoísmo, não seu amor.

O amor libera, deixa ir, não prende a nada nem a ninguém. A morte é um ilustre desconhecido, e agora a pessoa que você ama e que se foi, está desvelando os segredos reservados apenas para os que não voltam mais. Permita que ela mergulhe no mistério, enquanto você prossegue por aqui, fazendo valer esta existência enquanto não chamam a sua senha.

Não tenha medo do desconhecido, e o fato de alguém importante pra você ter ido ao encontro deste desconhecido também não deveria assustar você. Eles foram primeiro, nós iremos depois. Foi só isso.

Ao invés de temer a morte, deveríamos nos sentir estimulados por ela. Já que vamos morrer, deveríamos viver o máximo possível enquanto isso não acontece. Foi por isso que tatuei “memento mori” no meu braço, pra me estimular. Todas as vezes que eu me olho no espelho e vejo a frase no meu braço, me lembro de que a vida só vale a pena se for vivida. Então eu prefiro viver poucos anos fazendo o que eu gosto, vivendo do jeito que eu gosto, do que viver muitos anos infeliz e sem significado.

Se alguém se foi, deixe que vá completamente. Era o caminho dele. Se você ainda não se foi, esteja completamente aqui.

Já sobre você, não tente se manter vivo até os 100 anos. Ao invés disso, tente viver totalmente os anos que tiver, seja lá quantos forem.

Você só tem um dia de vida: HOJE!


Giordano Nârada

domingo, 8 de dezembro de 2013

A MANADA


Manada é um conjunto de animais da mesma espécie que geralmente vivem juntos, se deslocam juntos, se alimentam juntos e tem os mesmos hábitos. São uma alma-grupo. Não pensam nem agem separadamente. Se um corre assustado, todos correm também, ainda que não saibam por que. Algumas vezes a manada tem um líder, mas de um modo geral, lidera quem reage primeiro a alguma ameaça, ou a alguma necessidade como quando um membro do grupo encontra água. O primeiro que viu segue para o rio e os demais o seguem.

Tenho observado o mesmo comportamento de manada no ser humano, e confesso que isso me irrita visceralmente. Inconscientemente, a grande massa segue o fluxo. Onde tem mais gente, é onde o povo vai. É o tipo de pessoa que não pode ver uma fila grande que para pra perguntar pra que é a fila. O tipo de gente que para pra dar uma espiadinha no corpo estendido no chão da pessoa que acabou de ser atropelada. O tipo de ser humano que se junta pra linchar outro ser humano em nome de um senso de justiça deturpado e animalizado. Que entra em briga de torcida de futebol, que invade as lojas em dia de Black Friday, que acompanha a moda, enfim, gente que segue um grupo de pessoas em uma determinada direção e, quando você pergunta a razão de ela fazer isso, ela simplesmente não sabe. Faz porque é legal, porque viu na TV que todo mundo está fazendo, usa a roupa porque “ta usando”, que é a frase que eu mais ouço quando uma mulher quer comprar uma roupa da moda: “vou comprar porque ta usando”.

Eu tenho escrito aqui, vez após vez, sobre a importância de você conhecer a si mesmo e encontrar aquilo que você nasceu pra fazer, sua Verdadeira Vontade, mas isso não é possível se você tem o comportamento de manada. A valorização da individualidade é a única coisa capaz de permitir que você descubra o que é que vai realizar você na vida. Enquanto você seguir as tendências, nunca encontrará seu próprio caminho. Não quer dizer que seu caminho nunca vá acompanhar uma tendência, mas antes de acompanhar uma tendência, é preciso descobrir quem você é. E quando você descobrir isso, vai saber qual onda surfar.

Sempre que eu vejo muita gente fazendo alguma coisa, eu desconfio. Na maioria das vezes, onde a maioria está é onde eu não deveria estar. Não quero dizer com isso que nós nunca caminharemos na mesma direção como humanidade, não é isso. Estou dizendo que o caminho para se trilhar é o caminho da consciência, e hoje no mundo, não existe multidão consciente. Na maioria das vezes (talvez sejam todas as vezes), a multidão sempre está seguindo em direção ao precipício.

Eu sei que quem não anda com a manada é considerado de outra espécie, muitas vezes desprezado pelo grupo. Mas a pergunta que fica é: por que é tão importante ser aceito pelo grupo? Por que você se satisfaz tanto em que as outras pessoas gostem de você?

Eu não estou aqui para agradar a ninguém, estou aqui para mudar as coisas. Não admito que a minha passagem nessa existência não deixe a sua marca. Eu nasci para causar um impacto na minha geração, e eu nunca conseguirei isso me diluindo na manada. E isso também vale pra você.

Minha dica de hoje é, pense antes de fazer as coisas. Se pergunte por que você está fazendo isso ou aquilo. Se é porque você quer de verdade, ou porque você está seguindo o fluxo, reagindo, ou se deixando levar pela onda.

Destaque-se sendo você!

Giordano Nârada

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dinheiro não traz felicidade, disse o pobre infeliz


Dinheiro não traz felicidade, disse o pobre infeliz.

Felicidade é o nome daquilo que você sente quando realiza um desejo. Qualquer desejo. Seja um desejo simples, como tomar um sorvete de flocos com doce de leite em uma noite quente, seja um desejo mais complexo, como ter um filho. Felicidade é o alvo da realização de um desejo, e não existe felicidade sem isso. Algumas pessoas aprendem a se contentar com o que tem, enquanto outras têm desejos tão simples que conseguem ficar felizes por boa parte do tempo, o que pode dar a impressão de que é possível SER feliz, e não apenas ESTAR. Mas seja lá qual for o nível de simplicidade ou complexidade dos seus desejos, a realização deles é que é a responsável sua felicidade.

O contrário também é verdadeiro. A não realização dos desejos é a responsável pela nossa infelicidade. É o que chamamos de frustração. Sonhamos, traçamos metas, planejamos e batalhamos para conseguir realizar nossos desejos, mas quando não conseguimos, nos frustramos. Ficamos infelizes.

Agora, o dinheiro é um dos principais agentes transformadores de desejos em realidade. Claro, existem outros, mas não tão eficazes quanto o dinheiro. É por isso que gastamos a maior parte das nossas vidas em busca de dinheiro, porque na verdade, estamos em busca de felicidade.

Quem diz que dinheiro não traz felicidade, geralmente é quem tem pouco dinheiro, ou quem um dia teve muito dinheiro, mas perdeu. Quem tem um bom dinheiro geralmente discursa dizendo que dinheiro não é tudo, mas não diz que dinheiro não traz felicidade. Por de fato traz.

É o dinheiro que realiza 98% dos desejos de quem tem dinheiro, e os outros 2% ainda são realizados com uma parcela de ajuda do dinheiro.

Portanto, a questão não é se o dinheiro traz ou não felicidade. A questão é, quem vai servir quem quando a felicidade chegar?

Por muito tempo foi dito que o dinheiro corrompe as pessoas, mas isso não é verdade. O dinheiro não corrompe ninguém, mas revela o caráter de quem o possui. Não só revela, como potencializa também. Então, quem tinha uma tendência a ajudar as pessoas antes de ter muito dinheiro, passa a ajudar mais. Quem tinha uma tendência a prejudicar as pessoas antes de ter dinheiro, passa a prejudicar mais. Agora note que eu disse “tendência”. Dou ênfase a isso porque geralmente ninguém nota isso e tais pessoas até que ela tenha adquirido o poder que o dinheiro traz. É aí que o caráter fica evidente, e algumas pessoas se surpreendem, porque não haviam notado determinada característica na pessoa que até então, não tinha dinheiro.

Além dessa questão do caráter, tem a questão da personalidade. Por mais que a pessoa tenha um bom caráter, se ela não tiver uma personalidade forte, uma mente forte, ela vai se tornar escrava do dinheiro. E o que é para existir a serviço do ser humano, passa a existir como senhor. Uma inversão de papeis desastrosa.

O cenário ideal é que, quem adquire poder financeiro tenha personalidade para mostrar quem é que manda. O dinheiro precisa ser um escravo de quem o detém. Nada de dedicar a vida ao dinheiro, mas dedicar o dinheiro a vida. E se isso acontecer, se o dinheiro passar a servir ao seu dono, vai sim trazer felicidade, porque vai realizar desejos. Mas essa felicidade vai ser permanente? Não.

Não existe felicidade permanente porque não existe desejo realizado que nos satisfaça plenamente. Para cada desejo realizado, existirá pelo menos mais um novo desejo nascendo.

Então, o que nos resta fazer? Aceitar que somos um poço sem fundo dos desejos e viver para realizar o máximo deles? Nada disso.

Nenhum desejo tem o poder de fazer de você uma pessoa realizada, mas existe algo que é capaz de fazer isso, e esse algo é a Vontade. Você pode ler sobre a diferença entre desejos e Vontade CLICANDO AQUI.

No mais, não tenha medo do dinheiro. Nem use um ditado bobo como “dinheiro não traz felicidade” como desculpa para continuar vivendo uma vida mediana, daí pra baixo. Dinheiro traz felicidade SIM, e quem tem, geralmente é mais feliz do que quem não tem. Mas a minha questão aqui é outra. Será que felicidade, é realmente o que deveríamos buscar na vida? Existiria alguma coisa na vida que seria superior a felicidade?

A resposta é SIM, mas isso é assunto pra outro texto. =)

Giordano Nârada

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Amigo é dinheiro no bolso


Dever dinheiro é ruim, mas dever dinheiro a um amigo é muito pior.

Você não conhece uma pessoa até que mexa no bolso dela. Você não conhece seu amigo, nem sabe se ele é realmente seu amigo, até que um conflito financeiro aconteça. Enquanto seu amigo não gastar dinheiro com você, enquanto ele não tiver prejuízo por sua causa, você não sabe se ele realmente é seu amigo.

Agora, falando especificamente sobre ficar devendo dinheiro, quando você deve dinheiro a uma instituição financeira, um fornecedor, uma loja, ou coisa semelhante é um tanto constrangedor, pelo menos para mim. Eu considero dever qualquer coisa uma coisa ruim. Mas ainda que seja constrangedor e traga uma série de problemas para quem fica devendo, na maioria das vezes é uma coisa impessoal. Você compra, não paga, seu nome vai parar no SPC e no SERASA e você não consegue comprar mais enquanto não pagar. De vez em quando uma agencia de cobranças liga, uma cartinha chega, um e-mail aparece na caixa de entrada, mas até aí a relação sua com a instituição a que você deve é impessoal. Então você trabalha, ganha dinheiro, paga no tempo que conseguir, e volta a comprar na mesma loja, se quiser.

Já quando você deve dinheiro a um amigo, a coisa é bem diferente. Se você quiser correr o risco de perder uma amizade, peça dinheiro emprestado. Quer dizer, enquanto você pega emprestado e consegue pagar, a amizade é a mesma. Mas se por algum daqueles sacolejos da vida, você tiver que deixar de pagar seu amigo, prepare-se para conhecer a verdadeira face dele.

Eu não sei por que, mas o dinheiro tem esse poder sobre as pessoas. O poder de decidir quem você gosta e quem você não gosta. Definitivamente, você não gosta de quem lhe deve dinheiro e não paga.

Agora, meu ponto principal nesse texto é: quanto vale uma amizade?

Amizade de verdade não tem preço, todos nós sabemos. Mas quantas amizades verdadeiras nós temos? Quantos dos nossos relacionamentos de amizade sobreviveriam a um empréstimo não pago?

O pior cenário é quando você pega dinheiro emprestado com o amigo, não consegue pagar, e o amigo entra em apuros por alguma razão e procura você.  Quando a necessidade bate, a amizade “vai pro saco”. Perco a amizade, mas não perco meu dinheiro, é o lema.

Que tipo de amizade não sobrevive a uma desavença financeira? A amizade inexistente. O que chamam de amizade, de um modo geral, não passa de um jogo de interesses. Quando "o bicho pega" é que você sabe quem são os seus. Ou quem não são.

Meu conselho pra você hoje é: não deva nada a ninguém. Mas se isso não for possível, pelo menos não deva nada aos seus amigos. Procure um agiota, mas não seus amigos, pois você vai acabar descobrindo que tem menos amigos do que imagina. Aliás, é possível que você descubra que está só.

E se você for o amigo que empresta dinheiro, pare. Se você pode dar o dinheiro, dê. Se não pode, ajude seu amigo a conseguir um empréstimo no banco, mas não empeste seu dinheiro. Você vai perder o dinheiro, e o amigo. 

Quando você disser não, talvez perca o amigo de qualquer jeito. Mas pelo menos não perdeu o dinheiro. rs.

No fim das contas, até que aquele ditado tem alguma razão: “Amigo é dinheiro no bolso”

Giordano Nârada

sábado, 30 de novembro de 2013

Como "pegar mulher" na balada


Todo fim de semana é a mesma coisa nas redes sociais. O garoto falando sobre sair, beber e “pegar mulher”, e a garota querendo sair, beber e ser pega pelo garoto.

É interessante pra mim perceber que, em primeiro lugar, nenhuma mulher se deixa “pegar” por ninguém. É claro que não estou falando de meninas, estou falando de mulher. Meninas são meninas, e qualquer um com um papo mediano, ou com uma cara bonitinha, ou com um chaveiro de carro maneiro, leva. Mas mulher de verdade, não, ninguém pega.

Outro dia, conversando com um desses jovens que gostam de ir à baladas nos fins de semana para “pegar mulher”, perguntei qual era a cantada que mais funcionava pra ele. A resposta que recebi, confesso, me deixou um pouco chocado. O garoto me explicou que era só chegar perto da garota e perguntar: “quer beijar?”. Ainda não me recuperei do sentimento de surpresa até hoje.

Mulheres não são “pegas”, elas se entregam quando querem. Sim, estou falando de mulheres de verdade. Não existe um homem na Terra capaz de “pegar” uma mulher, se ela não quiser. E eu posso dizer que, por experiência própria e depois de uma boa perguntada por aí, eu descobri o óbvio. Não se encontra uma mulher de verdade na balada.

Por mais que o garoto queira acreditar que isso é possível, ou a garota queira acreditar que ela é sim uma mulher de verdade, e que um homem pode encontrá-la na balada, a verdade é que, se isso acontece, é uma daquelas exceções raras, que só se vê uma vez na vida.

Sim, porque quem vai a uma balada pra “pegar mulher”, ou para ser pega por um “homem”, não está bem. O nível de carência está tão alto que é preciso ir à caça, como animal no cio. Homens e mulheres não vão à caça, nem ficam no cio. Homens e mulheres de verdade sofrem acidentes de amor.

Ele no seu caminho, ela no dela, seguindo seu sonho, suas metas pessoais que tem a ver com a realização da Vontade, que é o potencial de cada um buscando expressão, quando por conta destes caminhos individuais, os dois se chocam. E para surpresa dos dois, o choque é tão importante que um não deseja mais prosseguir sem o outro. Não faz sentido prosseguir sozinho a partir dali. Isso não se encontra em uma balada, isso não se “pega”, e isso não é coisa de meninos.

Aí talvez alguém diga: “mas eu não vou a uma balada para encontrar o amor da minha vida, vou para me divertir, sem compromisso”. Pois é, como eu disse, nem homens nem mulheres de verdade podem ser encontrados em uma balada. Homens não usam mulheres para divertirem-se sem compromisso. Mulheres tão pouco. A não ser aquelas que já foram tão machucadas por alguns, que decidem descontar em outros achando que todos os homens são iguais. Isso é outro erro. Meninos são todos iguais, homens não.

Hoje eu tenho 30 anos, mas comecei a sair para baladas aos 13. Na minha primeira balada, fui acompanhado. Cada vez que eu ia buscar uma cerveja, beijava uma menina diferente, e depois voltava para a garota que tinha ido comigo. Foi muito legal poder falar com meus amigos no outro dia que eu “peguei 5” aquela noite. Mas eu tinha 13 anos, na época isso fazia sentido.

Depois que você cresce, vai percebendo o que é importante e o que não é. Engolir cuspe na balada, ou levar a garota desconhecida para um motel apenas para transar, sem qualquer sentimento além da questão física é, pra dizer o mínimo, infantil.

Nada se compara ao beijo, ou ao sexo feito com quem você gosta de verdade.

Quer pegar meninas na balada? É fácil! Saia perguntando “quer beijar?” até encontrar uma moça que não se valorize o suficiente, e aceite.

Quer pegar mulher de verdade? Então CRESÇA! Então descobrir que mulher não se pega, que o melhor dos mundos é quando tudo acontece sem querer, e que chega um ponto na vida que ficar junto é inevitável. É assim que vale a pena, eu acho.

Giordano Nârada

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

MARCAS NA VIDRAÇA

Existem muitas maneiras de se contar uma história. E dependendo da maneira que você escolhe contar esta história, ela pode ter o significado que realmente tem, ou ganhar um outro, de acordo com o objetivo, ou com o ponto de vista do contador de histórias.


Uma religião é isso. Uma parte de uma história contada por todas as religiões, crenças e culturas, acrescida do ponto de vista e do objetivo de quem conta a história.


Não vejo problemas em você contar apenas parte de uma história. Também não vejo problemas em se acrescentar o ponto de vista do contador da história àquela parte da história. Mas vejo problemas quando o contador de histórias diz que aquela parte da história é, na verdade, a história completa, e acrescenta ainda que o seu jeito de contar àquela história é o único jeito de se conhecer a história verdadeira.


A verdade está escondida atrás de uma vidraça, toda marcada com as impressões digitais dos que contam histórias à respeito dela. E já são tantas as marcas, que todas as vezes que alguém tenta enxergar a verdade, enxerga apenas os contadores de histórias. E quem se arrisca a contar a história da verdade de maneira diferente, só tem conseguido contar a história nas marcas dos dedos dos contadores de história na vidraça.


Mas isso tudo é meio óbvio pra todo mundo, eu acho. O que ainda não está óbvio é... COMO É QUE A GENTE LIMPA ESSA VIDRAÇA? OU, AINDA, COMO É QUE A GENTE QUEBRA ESSA VIDRAÇA?

Giordano Nârada

sexta-feira, 1 de março de 2013

Viva as Cyber-Hienas, os Homens-Foca e as Mídias Sociais!


Em um tempo de Cyber-Hienas, que gastam 98% de sua experiência online procurando alguma coisa pra rir, alguns poucos gatos-pingados ainda insistem em pensar seriamente sobre como fazer a diferença nesse mundo de merda em que vivemos.

Ainda bem que isso não tem graça nenhuma, do contrário, teríamos dezenas de milhões de pessoas compartilhando vídeos e posts sobre a importância de fazer a diferença no mundo, criando imagens com frases poéticas ou irônicas no Facebook, fazendo Blogs pra mudar o mundo, mas na prática, não fariam absolutamente nada, porque é isso o que se faz em 98% de qualquer movimento nascido nas redes sociais. Nada.

Antão, eu queria comemorar.

Um "Viva!" para as Cyber-Hienas tetraplégicas de alma e espírito, que gastam o que lhes resta de cérebro tentando entender a próxima piada.

Um "Viva!" para os Homens-Foca, que aplaudem freneticamente os auto-intitulados comediantes de internet, que são milhares e que refletem seu público de milhões.

Um "Viva!" para as Mídias Sociais, que promovem a merda como se fosse o mais puro ouro.

E finalmente, um "Viva!" para você, que vai ler esse texto até o final, e depois vai voltar pro Youtube pra assistir o próximo vídeo de comédia e esquecer completamente do que você leu aqui.

Viva!

Giordano Narada
Itapema, Sc
01/03/2013
21:37

domingo, 18 de março de 2012

NOSSA PATÉTICA PAIXÃO POR FUTEBOL!


A competição nasce da necessidade de se auto-afirmar.  Ser o primeiro, o melhor, o maior, é o alvo de muitos, mas a conquista de alguns poucos. Todos querem ser vencedores, mas pela própria natureza da competição, os vencedores serão sempre a minoria.

No esporte a competição é a razão se sua existência, e para quem pratica o esporte como profissão, a vitória sobre o oponente é o que garante o emprego. Salários multimilionários são pagos para os competidores vencedores, e os perdedores freqüentemente são substituídos por outras “promessas” com o intuito de vencer na temporada seguinte.

Vencer é o alvo!

Aqui no Brasil, impera o Futebol, e a torcida desfruta da vitória de seu time favorito como se fosse a sua própria. Torcedores entram em uma espécie de transe apaixonado e saem as ruas com suas bandeiras e seu grito de guerra. Tudo o que for possível para chamar a atenção será feito. Buzinas, cornetas, gritos, bandeiras, camisetas e bonés, música e dança, todos os tipos de extravagância são válidos na hora de comemorar a vitória do nosso time do coração, e ao mesmo tempo, a derrota do time “inimigo”.

Na segunda-feira, no trabalho, nós da torcida vencedora estaremos municiados de todo o tipo de piada e brincadeiras nos vangloriando de “nossa vitória” e faremos questão de procurar aqueles que são torcedores de time adversário, o que perdeu, para tripudiarmos sobre o perdedor.

Ganhar é bom, perder é ruim. É baseado nessa premissa que permitimos que um jogador de futebol ganhe milhões por ano para nos sentirmos vencedores aqui de casa ou lá no estádio, enquanto milhões de irmãos nossos batem às nossas portas aos Domingos mendigando um prato de comida e não conseguem, porque estávamos fazendo tanto barulho comemorando a vitória de nossos times, comendo churrasco e bebendo cerveja, que não fomos capazes de ouvir alguém batendo no portão.

Até mesmo este que bateu no portão pedindo comida é apaixonado por futebol. Isso porque também está nele a vontade de vencer e, algumas vezes, a única forma de se sentir um vencedor é quando seu time faz um gol, ignorando que o salário de um mês do autor deste golaço poderia alimentá-lo, juntamente com sua família, pelo resto de suas vidas.

A competição é uma das razões pelas quais a desigualdade está instituída no mundo. Querer ser melhor do que outra pessoa é o combustível que nos move todos os dias, falo da maioria de nós, e é por isso que nos orgulhamos de ser o País do Futebol e vamos sediar a Copa do Mundo. Como disse outro dia um ex-jogador de futebol: “Uma Copa não se constrói com hospitais, mas sim com estádios”.

O Coliseu não tem mais Leões nem Cristãos para serem comidos por eles. Os gladiadores agora têm chuteira nos pés e milhões na conta, e os trabalhadores pagam as vinte e quatro prestações de sua TV nova para poder assistir a final do campeonato.

Por que nós precisamos tanto nos sentir superiores? Por que alguém tem que perder pra nos sentirmos bem?

Por que fazer protesto contra a construção da usina de Belo Monte e não protestar contra os zilhões gastos para hospedar a Copa e as Olimpíadas?

Por que gastar tanto tempo de nossas vidas assistindo outras pessoas vencerem ou perderem, comemorando suas vitórias como se fossem nossas e no final o que se leva pra casa é apenas uma taça e um título, nada mais?

Por que nossa auto-estima é tão baixa?

Nosso mundo é patético!

Giordano Narada
04/12/2011