quarta-feira, 13 de março de 2013

Dúvidas que angustiam a alma



Eu tenho experimentado uma dúvida tão angustiante que às vezes tenho a impressão de que vou enlouquecer.

Sempre tive uma vida muito difícil, sempre fui pobre. Mas desde os 18 anos eu aprendi a ganhar dinheiro, e comecei a fazer meu caminho. Desde então já ganhei muito dinheiro, mas perdi logo em seguida por causa das associações que fazia. Era competente em ganhar, mas sempre estava vulnerável a alguém que me “quebrava as pernas”.

A última vez foi bem recente, quando comecei um negócio novo e promissor aqui em Santa Catarina. Mas, de uma hora pra outra, meu fornecedor de produtos parou de vender e mudou todo o negócio. Como era uma coisa nova, não existia ninguém em Santa Catarina além desse distribuidor, e eu não tinha cacife pra bancar a vinda do produto de São Paulo. Meu negócio promissor foi por água abaixo.

Mais uma vez, tudo ia bem até que alguém interrompeu o processo e, como sempre, o único prejudicado fui eu. Agora, me diga que tipo de macumba é essa que está sobre mim?

Pensando sobre isso cheguei a duas conclusões:

Eu sei ganhar dinheiro, e isso já está provado. Aprendi o caminho do foco e da determinação. Isso realmente funciona. Mas é aí que entra a segunda conclusão. Eu preciso resolver alguma coisa dentro de mim, que faz com que eu atraia sobre mim essas coisas ruins.

Em resumo, sou competente, mas sou azarado.

Depois de entender isso fui colocado diante de dois caminhos. Ou eu entro de cabeça nessa de ganhar dinheiro e amarro melhor as coisas (contratos e acordos melhores), ou eu me concentro em resolver o que, dentro de mim, faz com que essas coisas ruins aconteçam sempre.

O problema é que, quando fui procurar saber o que tinha pra resolver aqui dentro, entendi que é algo tão importante pra mim quanto pra todas as outras pessoas no planeta, pois diz respeito à nossa evolução. Essas questões que eu tenho pra resolver em mim, tem a ver com a minha relação com as coisas materiais em detrimento do que é realmente importante, que é a espiritualidade.

Agora, quando falo em espiritualidade, não estou falando em religião, em hipótese alguma. A religião é um câncer que precisa ser eliminado. Mas estou falado de uma realidade que não estamos dando atenção porque estamos concentrados em coisas temporais e passageiras. Estou falando de quem ou o que nós realmente somos.

Fico em busca de grandes negócios, sempre, porque quero ter dinheiro suficiente pra não pensar em dinheiro e poder me concentrar nas coisas realmente importantes. Mas acho que isso é meio que uma maneira que eu achei pra tentar enganar a mim mesmo, disfarçando a ganância e o desejo de poder. Porque eu me pego pensando no que o dinheiro que eu vou ganhar pode proporcionar a mim, ao invés de estar pensando em modos de servir a humanidade com meus talentos e habilidades desde já.

Então, cheguei a um ponto onde tenho que escolher se vou seguir o caminho dos que se tornam ricos, ou vou seguir o caminho dos que evoluem até o ponto onde o dinheiro não é importante.

Hoje, estou quebrado. Mas já estive assim antes, e já me levantei outras vezes. Então posso escolher me levantar de novo, ou posso escolher ficar aqui e resolver as coisas dentro de mim.

Já fazem mais de 10 anos que estou nesse sobe e desce desgraçado. Já mudei de ideia centenas de vezes. Tudo o que eu fiz deu certo no começo, mas depois alguém puxou meu tapete. Isso pode ser um sinal de que o meu caminho é pra dentro e não pra fora, ou pode ser apenas medo de enfrentar mais uma batalha e perder, outra vez.

O que você escolheria se estivesse no meu lugar?

Giordano Narada
Itapema, Sc
13/03/2013
14:14

terça-feira, 5 de março de 2013

Outro dia me procurei por aí...



Outro dia me procurei por aí, mas não me encontrei. Perguntei em todos os lugares, mas ninguém soube de mim. No caminho, encontrei um homem chamado Cristão e perguntei se ele sabia onde eu estava. Ele me disse que se eu encontrasse a Cristo, me encontraria também. Segui pelo caminho que ele indicou, cada detalhe com cuidado. Depois de muito tempo caminhando, descobri que estava andando em círculos. Não encontrei, nem a Cristo, nem a mim.

Decidi tentar outros caminhos, me procurar em algum outro lugar. O que não faltou foi gente pra me ajudar. Havia um cara chamado Esoterismo, misterioso e atraente, que parecia saber o caminho. Mas logo descobri que ele estava mais perdido do que eu. Mesmo assim, Esoterismo me apresentou muita gente interessante. Seus vários amigos do Oriente também tentaram me ajudar, mas no fim, todos estavam perdidos também. Porém, depois de uma longa conversa com todos eles em uma noite qualquer, me disseram que talvez eu não estivesse perguntando às pessoas certas, afinal, nenhum deles sabia como eu era, já que nunca me conheceram. Com então poderiam dizer onde eu estava?

Então entendi que deveria perguntar onde eu estava para quem me conhecia de verdade. Mas quem me conhece de fato?

De um estalo, enquanto pensava sozinho a respeito dessas coisas, soube o que tinha que fazer. Só havia uma pessoa que já havia me visto com sou de verdade e me conhecia por completo: EU MESMO, só que no futuro.

Claro, como eu não havia pensado nisso antes?

Coloquei meu casaco e parti em direção ao futuro à procura de “EU MESMO”. Cruzei desertos e mares, montanhas e vales. Enfrentei perigos, espadas, frio e fome. Conheci muitos lugares lindos também, e enfim, cheguei ao meu destino. O Futuro.

Chegando ao Futuro, fui recebido por “EU MESMO”, em um lugar solitário. Ele, aproximando-se de mim, não me permitiu que falasse qualquer palavra, pois ali elas não eram necessárias. “EU MESMO” me abraçou, e no calor de meu próprio abraço, simplesmente compreendi:

“Você está onde não está. Nem aqui, nem lá, mas em movimento. Portanto, estar é o verbo errado. Ser é o correto”.

Então tudo ficou claro. Eu nunca poderia ter me encontrado com a ajuda de nenhum dos amigos que conheci pelo caminho, porque nenhum deles é. Meus amigos estão, mas não são. Já eu, embora esteja hoje aqui e agora, amanhã já não estarei aqui. Não estarei porque sou, sempre em movimento.

Então, finalmente descobri que o que eu precisava achar era a minha busca, e agora que encontrei, posso continuar procurando.

Ser é estar em movimento, seguindo sempre para onde não estou, mas apenas sou.

Giordano Narada
Itapema, Sc
06/03/2013
00:20 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Viva as Cyber-Hienas, os Homens-Foca e as Mídias Sociais!


Em um tempo de Cyber-Hienas, que gastam 98% de sua experiência online procurando alguma coisa pra rir, alguns poucos gatos-pingados ainda insistem em pensar seriamente sobre como fazer a diferença nesse mundo de merda em que vivemos.

Ainda bem que isso não tem graça nenhuma, do contrário, teríamos dezenas de milhões de pessoas compartilhando vídeos e posts sobre a importância de fazer a diferença no mundo, criando imagens com frases poéticas ou irônicas no Facebook, fazendo Blogs pra mudar o mundo, mas na prática, não fariam absolutamente nada, porque é isso o que se faz em 98% de qualquer movimento nascido nas redes sociais. Nada.

Antão, eu queria comemorar.

Um "Viva!" para as Cyber-Hienas tetraplégicas de alma e espírito, que gastam o que lhes resta de cérebro tentando entender a próxima piada.

Um "Viva!" para os Homens-Foca, que aplaudem freneticamente os auto-intitulados comediantes de internet, que são milhares e que refletem seu público de milhões.

Um "Viva!" para as Mídias Sociais, que promovem a merda como se fosse o mais puro ouro.

E finalmente, um "Viva!" para você, que vai ler esse texto até o final, e depois vai voltar pro Youtube pra assistir o próximo vídeo de comédia e esquecer completamente do que você leu aqui.

Viva!

Giordano Narada
Itapema, Sc
01/03/2013
21:37

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Fantasmas de um futuro que nunca aconteceu



Tenho sido assombrado por fantasmas de um futuro que nunca aconteceu. A frase pode parecer confusa, mas é a única que eu consegui formular pra dizer como me sinto.

Eu estou sempre me projetando para o futuro. Digo “projetando”, mas não no sentido de planejar, mas sim de projétil, de me lançar com uma bala perdida rumo a qualquer lugar que não seja, nem aqui, nem agora.

Apesar de me esforçar pra viver o presente, não consigo não pensar no que pode acontecer se eu tomar essa ou aquela decisão. E algumas vezes eu me pego pensando: “E se eu tivesse tomado uma decisão diferente da que eu tomei no passado, como seria meu presente?”.

Então, quando isso acontece, é como se eu voltasse em algum ponto da minha história, mentalmente, e começasse a viver, na ambiência criada pela minha imaginação, uma história nova, que eu nunca vivi. E isso acontece muitas vezes.

Quando não estou ocupando a minha imaginação com o futuro que nunca aconteceu, me pego sonhando acordado com um futuro que, igualmente, nunca vai acontecer. Como eu sei que nunca vai acontecer? É simples. O futuro que estou imaginando naquele momento, só poderia acontecer se eu decidisse seguir por um determinado caminho que não vou seguir, porque decidi assim. Mas mesmo assim, eu “engato uma quinta” naquele pensamento e, quando percebo, lá estou eu novamente no futuro errado.

“Volta o cão arrependido...”

Dizem que há determinados estados de consciência que nos levam a outras dimensões, ou mesmo a outros universos. Às vezes eu acho que visito esses lugares. São estes os lugares onde eu experimento novos rumos, onde as coisas dão certo, onde eu sei quem eu sou e o que estou fazendo ali. E isso não é um problema, eu até gosto de “viajar pela Hellmans Air Lines” de vez em quando. O problema é quando eu volto desse quase-transe.

Eu volto à minha realidade, aos meus afazeres, às minhas obrigações, às consequências de minhas escolhas anteriores e ao meu presente, mas não volto sozinho. Volto acompanhado por fantasmas.

Sou constantemente atormentado pelos personagens dos muitos futuros possíveis que visitei. São fantasmas de quem eu gostaria de ser, ou do que eu gostaria de viver. Fantasmas de um futuro que nunca vai acontecer.

Quisera eu não ter visitado nenhum destes universos paralelos, nem ter tido o vislumbre do que as decisões que eu não tomei e nem tomarei poderiam me proporcionar. Na verdade, poderia ser que eu tomasse outros caminhos e não acontecesse como imaginei, mas isso eu nunca vou saber.

Quisera eu conhecer um exorcista capaz de exorcizar-me deste mal, mas como me livrar da minha própria imaginação e da minha própria frustração?

Meus demônios imaginários nascem no espelho, e se alimentam da dúvida que é fruto do medo, este que com suas profundas raízes toca lá no fundo da alma. Isso é bonito de escrever, mas se fosse uma pintura, seria uma imagem terrível.

Pensando nisso, cheguei à conclusão de que visitar outros universos não é da minha conta. E que, pior que os fantasmas do passado, são os fantasmas do futuro.

P.S: Se alguém souber como desliga isso, me conta?

Giordano Nárada
Florianópolis, Sc
25/02/13
23:40

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Nossa civilizada Cadeia Alimentar!




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Um mito chamado SILÊNCIO


















Silêncio. Tá aí uma coisa que ninguém conhece.

Na cidade, quando você consegue algum silêncio, ainda pode ouvir o som do ar condicionado, do ventilador ou dos carros passando na rua.

No campo, os grilos, sapos, outros animais ou o vento sempre estarão lá para romper o silêncio imaginário.

Ainda que você consiga se isolar em uma caixa acústica, onde som algum penetre, ainda assim seus pensamentos não permitirão que o silêncio aconteça.

Faça o que fizer, esteja onde estiver, você nunca estará em silêncio.

Giordano Nárada
Itapema, Sc
11/02/2013
23:28

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Vida Social? Não, obrigado.



A solidão desperta a criatividade da mesma maneira que a tristeza gera poesia. Alguém que possui uma vida social muito ativa e geralmente é uma pessoa alegre, dificilmente criará algo novo, revolucionário. Não sei por que, mas é assim. Agora, não sei se as pessoas criativas e revolucionárias são assim porque são solitárias, ou se são solitárias porque não conseguem conviver com tanta mediocridade.

Eu tenho picos de criatividade, mas isso acontece, geralmente, quando estou me sentindo só. Quando estou acompanhado e cheio de atividades sociais, não crio nada, viro um zero à esquerda. Por causa disso, fico sempre oscilando entre o desejo de me envolver com as pessoas e a pulsão por criar coisas úteis, interessantes e com significado. Sim, porque geralmente quando você se relaciona com pessoas normais, o que elas querem fazer em sua companhia é beber, comer, falar bobagens ou fazer qualquer outra coisa que possa levar o título de entretenimento, mas nada que tenha algum significado pra vida de fato. Por outro lado, encontrar pessoas inteligentes e interessantes que queiram fazer alguma coisa que tenha significado pra vida está cada vez mais difícil, porque quem é assim já não tem mais paciência pra conviver com outros humanos ou estão em processo de “idiotização” por pressão da maioria.

Então, o que sobra é afastar-se do convívio das pessoas para fazer alguma coisa que preste da vida ou cair nesse abismo sem sentido chamado Vida Social. É claro que alguns dirão que é possível equilibrar as coisas, mas eu tenho uma notícia pra lhe dar: equilíbrio é a essência dos medíocres.

Quem é equilibrado nunca excede, e quem nunca excede, nunca conhecerá seus limites, nunca irá além de onde os outros já foram, nunca revolucionará nada, não passando de um “picolé de xuxu” que agrada a maioria e tem pouca personalidade. Isso vale pra qualquer que seja o seu caminho na vida (a não ser que você seja um equilibrista ou alguma coisa que necessite de equilíbrio físico).

Não dá pra ficar no meio termo da vida sem sumir na multidão. Se você é apenas mais um, então o equilíbrio lhe cai bem, mas se você quer causar um impacto no seu mundo, fazer a diferença na vida de outras pessoas, dar sentido e significado a sua vida, precisa se destacar em alguma coisa, e é o excesso que destaca, não o equilíbrio.

Agora, voltando ao assunto do começo do texto, comecei a escrever sobre isso porque tenho tido a oportunidade de conviver com mais pessoas do que estava acostumado, e acho que eu não gostei disso. A impressão que dá é que a vida dessas pessoas é tão ruim que elas precisam ficar distraídas com alguma coisa o tempo todo, senão não aguentam a própria realidade. Cercam-se de brinquedinhos eletrônicos, músicas que não tem sentido nenhum e bebidas de todos os tipos pra ficar “bem loko”. E qual é o resultado disso? Nenhum.

Acho que eu gosto da solidão, mesmo quando dói. Gosto porque quando vejo o resultado que ela produz e mim, alguns objetivos e outros mais subjetivos, tenho a impressão de que fiz alguma coisa que preste da minha vida.

Talvez um dia eu encontre gente inteligente e interessante que goste de se divertir fazendo coisas úteis, importantes, belas e que tragam algum sentido e significado pra vida. Enquanto isso não acontece, acho que vou preferir ficar sozinho mesmo.

Giordano Nárada
Itapema, Sc
03/02/2013
14:57