quarta-feira, 7 de agosto de 2013

INTER-ERUPÇÃO!


Tem umas coisas que sinto que, parece que se alojam num lugar bem ali, atrás do umbigo. Dá a impressão, inclusive, que é algo físico mesmo. Quando sinto, é como se fosse arrancar o meu fígado fora, rins, estômago, TUDO! Eu queria encontrar uma palavra pra isso, mas acho que não existe. Mas se eu tivesse que escolher uma palavra que coubesse o que sinto, eu escolheria “inter-erupção”.

Eu sei que essa palavra não existe, mas acho que ela descreve bem o que sinto porque é como se houvesse algo em ebulição dentro de mim. Mas não é o tempo todo. 

Embora eu saiba o tempo todo que isso está aqui, não é todo o tempo que parece que vai explodir do meu peito ou sair pela minha boca. É como se, de vez em quando, uma erupção interna acontecesse, mas fosse sempre interrompida por alguma coisa que eu não sei o que é.

É como se eu mantivesse alguma coisa viva aqui dentro, em cativeiro. Algo forte. Mas não é mais forte do que a minha determinação de deixar isso aqui dentro, preso, escondido, calado. Não sei o que é, mas acho que não quero saber e tenho raiva de quem sabe.

 Tenho a impressão de que algumas coisas sobre nós devem ficar guardadas pra sempre.

Talvez um dia eu tenha coragem de olhar. Talvez isso me rasgue de dentro pra fora um dia desses também. Não sei. Só sei que de vez em quando essa “coisa” luta pra sair. Hoje foi um dia desses. Ainda não passou. Não sei se vai passar.


Giordano Nârada

sábado, 6 de julho de 2013

Quando meninos se tornam homens (meu ritual de passagem)


Existe um sorvete de palito que eu gosto chamado Mega. Quando eu era criança ele era meu sonho de consumo. Quando a propaganda do Mega Branco passava na TV eu sentia minha boca encher de água, mas nós não tínhamos dinheiro pra comprar. Eu pensava comigo que quando eu fosse “grande” eu compraria muitos Mega Branco só pra mim.

Morávamos em Belém, no Pará, minha mãe, minha irmã mais nova e eu, quando meu pai que já não dava as caras havia cinco anos, apareceu. Ele havia se separado de sua segunda mulher e convenceu mina mãe a mudar-se com ele para Ribeirão Preto, em São Paulo. Fomos, felizes.

Em um mês ou dois a coisa toda mudou. Meu pai voltou com a mulher dele e, durante um curto período de tempo (mas que pareceu uma eternidade) moramos todos juntos na mesma casa. Meu pai, minha mãe, minha irmã e eu, e mais os outros três filhos que meu pai teve com sua segunda esposa. Foi bem estranho.

Então meu pai resolveu ir para Brasília trabalhar e eu fui junto ajudar no trabalho, deixando minha mãe e minha irmã em Ribeirão Preto. Fiquei por lá uns três meses, eu acho. Nesse meio tempo, meu pai parou de mandar dinheiro para a minha mãe, o que fez com que ela e minha irmã passassem sérias dificuldades, e eu intermediava a conversa entre ela e meu pai. As coisas estavam bem difíceis e meu pai não conseguia mais sustentar as duas famílias. O stress aumentou, e ele começou a me tratar com uma agressividade que eu não havia visto ainda. A mesma agressividade com que a vida nos trata, mas eu não sabia. Eu tinha 13 anos.

Certa tarde, trabalhando na Feira do Livro, meu pai me pediu alguma coisa e eu não consegui encontrar. Ele começou a zombar de mim por meu comportamento de “garoto do mato” e depois do terceiro adjetivo pejorativo eu não aguentei e sugeri que ele fosse “tomar no cu”, e saí dali.
Cruzei a cidade toda á pé e quando cheguei ao apartamento onde morávamos, com a intenção de pegar minhas coisas e conseguir uma carona de volta pra Ribeirão, ele havia passado por lá antes de mim e dito à sua mulher que não abrisse a porta pra mim, com medo de que eu fosse fazer alguma coisa à sua mulher ou aos seus filhos. Não era o caso.

Meu pai esperava que eu me sentasse na escada e esperasse, mas eu não esperei. Saí à rua para ver o que faria, mas já era noite.  Foi quando eu tive a brilhante (risos) ideia de pedir algum dinheiro para os taxistas do outro lado da avenida. Naquela época o pãozinho custava 0,10 e se eu conseguisse 1 real, poderia sobreviver todo o fim de semana com 10 pães. Era uma sexta feira.

Pedi para os três primeiros taxistas e desisti. Eles achavam que eu queria comprar drogas. Eu contei a minha história verdadeira, mas eles achavam que eu era só um mentiroso criativo. Quando já havia desistido, um dos taxistas que já havia me visto por ali, perguntou qual era a história e eu contei. Ele disse que não me daria dinheiro, mas me levou em uma barraquinha onde vendia de tudo e disse que eu poderia pegar o que eu quisesse, por quanto tempo precisasse. Fiquei feliz e comi, mas moderadamente, para não pesar ao bom homem.

Fiquei do outro lado da avenida e esperei meu pai chegar, as onze na noite. Ele não me viu. 

Ele tinha um Santana Quantum marrom, com rodas em formato de estrela. Eu achava lindo. Havia um probleminha na trava do porta-malas que ainda não havia sido resolvido. Eu sabia como abrir, e também sabia que haveria uma coberta e travesseiros no porta-malas, pois viajávamos muito pela região e sempre dormíamos no carro. Esperei dar meia noite e fui dormir no carro. Na época havia uma rádio-novela que passava naquele horário na emissora da LBV, era Nosso Lar do Chico Xavier. Eu gostava de ouvir as histórias, e fiquei ouvindo até pegar no sono.

Saí do carro antes que meu pai acordasse às seis da manhã. Tomei meu café na barraquinha onde meu amigo taxista me autorizou a comer e fui tentar resolver minha situação. Para encurtar a história, consegui falar com a minha mãe por telefone e descobri que eu tinha um parente que era Ministro da Justiça à época. Quando ela conseguiu encontrá-lo para me ajudar já era Domingo. Peguei um taxi ali mesmo, no ponto de taxi do meu amigo, e fui pra a casa desse parente que, ao contrário do que eu imaginava, vivia em um apartamento modesto. Mas ainda assim era um lugar bem legal. Comi pão de queijo com eles no café da manhã e ganhei 50 reais para voltar pra casa.

Naquela tarde peguei um ônibus de Brasília pra Ribeirão Preto e tive bastante tempo pra pensar na vida. De madrugada, o ônibus parou em um posto de gasolina e havia um tempo pra que os passageiros comprassem o que quisessem comer. Eu andei pela loja e vi um freezer de sorvete com a propaganda do sorvete Mega. Eu ainda tinha algum dinheiro daqueles 50 reais que ganhei. Não comprei mais nada, apenas o sorvete Mega Branco.

Comi aquele sorvete no ônibus e chorei. Chorei porque sabia o que significava aquele Mega Branco. Significava que eu não era (e nem podia ser) mais um menino. A partir daquele dia eu teria que fazer minhas próprias escolhas e sofrer as consequências delas. Eu não tinha mais meu pai pra comprar o que eu pedisse, e minha mãe estava em uma cidade estranha, sem emprego e agora também sem casa. A partir daquele dia e daquele Mega Branco, eu teria que cuidar da minha família, e se eu quisesse alguma coisa teria de conseguir por mim mesmo.

Fomos acolhidos por um bicheiro rico da cidade que nos cedeu uma casinha no fundo de uma chácara. Durantes seis meses ele nos guardou ali. Nesse período consegui o meu primeiro emprego e, depois de seis meses fomos morar em um lugar que podíamos pagar, na periferia de Ribeirão.
Desde então, toda vez que eu vejo um sorvete Mega, me lembro daqueles três dias em Brasília, e daquela noite no ônibus. Também me lembro de que existem pessoas boas, apesar de serem mais raras hoje do que antes. Mas principalmente, me lembro do dia em que deixei de ser um menino para me tornar um homem.


Giordano Nârada

terça-feira, 4 de junho de 2013

Os Insetos Interiores - Fernando Anitelli








Notas de um observador:
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega se de "mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.




domingo, 14 de abril de 2013

Almas Gêmeas, que besteira!

Durante toda a minha vida eu achei que deveria me envolver com alguém que me completasse, que me fizesse sentir inteiro. Minha outra metade, alma gêmea, enfim, alguém que me fizesse feliz.

Em algum momento da minha vida me envolvi com alguém que julguei ser minha alma gêmea, e eu queria ser "um só" com esse alguém. Mas ela me falava coisas sobre individualidade, sobre ser dois inteiros e não "um só". Falava de um relacionamento que poderia existir mesmo que ficássemos dez anos sem nos encontramos. Também falava sobre espaço, e que cada um poderia ter sonhos diferentes, e que ao invés de DIVIDIR uma vida, a ideia deveria ser SOMAR, mas sem se diluir.

Na época eu não entendi, e esse relacionamento acabou. Fiquei sozinho por um tempo, e depois percebi que, desde que eu me entendo por gente, nunca fiquei sozinho. Sempre arrumava um jeito de estar com alguém, como que pra me proteger da solidão. Mas dessa vez não havia ninguém, fiquei só de verdade, e então entendi.

Entendi que sou completo, que não preciso de outra pessoa pra preencher uma parte que falta ou pra me fazer feliz. Se existe alguém que pode me fazer feliz, esse alguém sou eu. Ser sozinho não é sem incompleto. Estar acompanhado não é se completar.

Hoje encontrei esse vídeo na rede, com uma narrativa em texto, e me emocionei. O conteúdo do texto é praticamente tudo o que eu ouvia dela no passado, mas não era capaz de entender. Hoje eu entendo, mas não percebi que entendia até ver este vídeo, e eu queria compartilhar com vocês pra que, quem sabe, vocês também entendam, e sejam completos, sem a necessidade de sobreviver às custas da alma de outra pessoa.

Segue o vídeo:


Giordano Assunção
Itapema, Sc
14/04/2013
18:01

quinta-feira, 21 de março de 2013

Será que visitamos outros mundos enquanto dormimos?


Essa noite eu tive um sonho interessante. Na verdade, acho que não foi só um sonho, foi uma visão. Sonhei com um outro mundo, ou talvez fosse o nosso, mas em outro tempo.

Em meu sonho, alguém me contava seu sonho, pra que eu interpretasse. Não sei interpretar sonhos, mas me parecia que, quem estava me contando seu sonho, acreditava que eu poderia interpretá-los. Enquanto esse alguém me contava seu sonho, fui transportado para outro lugar, e como que despertado de um sonho para dentro de outro sonho, acordei à beira de um lago. Não era nem tarde, nem noite. Estava naquele período onde a lua e o sol se encontram. O crepúsculo.

Era um lago extraordinariamente lindo, de águas calmas, porém escuras. Mas não eram escuras por estarem sujas, mas sim, por serem águas profundas. Observei o lago e notei que havia estranhas criaturas se movendo ali. Eram como crocodilos, porém albinos e dóceis. Como uma mistura de crocodilos com golfinhos, ou botos, já que estamos falando de água doce.  Notei que também havia peixes enormes e coloridos, como Carpas gigantes. Os peixes também eram dóceis, e pareciam interessados em mim.

Levantei os olhos e olhei para além do lago. Vi que havia uma grande cidade do outro lado. Havia um aglomerado de prédios enormes, muito próximos uns dos outros. Tive a impressão de que não havia casas naquela cidade, apenas prédios. Os prédios tinham um design futurista, do tipo que se vê em filmes de ficção cientifica, e alguns ainda estavam em construção, perto do lago. Parecia que logo chegariam aos limites do lago e já não teriam mais onde construir.

Olhei para a minha direita e havia uma cabana de madeira. Não condizia com o cenário futurista que havia acabado de notar, mas fazia todo sentido quando eu olhava para o lago.

Olhei ainda para traz de mim, e vi um uma terra vasta, cheia de pequenas elevações, pouquíssima vegetação, e aqui e ali, alguns prédios seguindo o padrão dos que eu havia visto do outro lado do lago, se erguiam como surpresas em um terreno tão irregular. Não havia um padrão de distanciamento entre um prédio e outro deste lado do lago. Era como se alguém houvesse “semeado” os prédios aleatoriamente pro ali.

Olhei pra cima e vi a Lua, e três luzes azuis brilhantes próximas a ela. Perguntei-me se eram estrelas ou planetas, mas não sei dizer o que eram. Vi também o sol se pondo, e havia uma estranha luminosidade azul por todo o lugar. Tanto nos céus, quanto na terra, quanto na água.

Senti que a visão iria acabar. Pedi para continuar vendo, pois havia muito o que explorar. Eu estava curioso pra saber mais sobre o lugar e, não sei por que, mas me pareceu coerente pedir, com se a visão estivesse me sendo dada por alguém. Mas não fui atendido e acordei aqui, em minha casa, com a sensação de ter visitado um outro mundo, ou um outro tempo.

Dizem que quando dormimos, morrermos, ainda que momentaneamente. E que quando morremos nos desprendemos deste mundo e visitamos outros. Porém, quando retornamos, não temos lembranças do que vimos ou experimentamos.

Talvez eu tenha realmente visitado um outro mundo, e tenha me lembrado. Mas por que eu fui até lá? Por que me lembrei de tudo? Quem me levou até lá? Será que um dia vou voltar?

Acho que nunca mais vou dormir sem pensar neste estranho e fascinante mundo que um dia conheci.

Giordano Narada
Itapema, Sc
21/03/2013
22:00

Um anjo chamado Eliot (99 Balloons)

Não acredito em Deus! Pelo menos, não no Deus que as religiões apresentam, especialmente a religião cristã. Um Deus que exige e demanda respeito e honra, que pune que não o ama e adora, não merece nem meu respeito, nem minha honra, nem minha adoração, muito menos meu amor.

Mas acontece que, alguns seres humanos causam tamanho efeito em nós, quando passam em nossas vidas, que não dá pra não pensar que existe algo mais do que a nossa simples existência. Existe um propósito para estarmos aqui, há algo a fazer.

As vezes as pessoas nos tocam de uma forma que chegamos a pensar até que eram anjos. Demônios também aparecem de vez em quando, e alguns até conseguem marcar a vida de outros de modo permanente. Mas ainda assim, os anjos existem.

Eu assisti um vídeo hoje que conta a breve história de um anjo, que tocou a vida de duas pessoas no passado, hoje tocou a minha, e talvez toque a sua.


Sem religiosidade, sem misticismo, sem um livro de mandamentos, sem palavras...



domingo, 17 de março de 2013

Confissões em Três Movimentos - Tim Minchin

Acabei de ser apresentado a esse maluco, ouvindo Confissões em Três Movimentos. Ele se chama Tim Minchin e é um tipo de Rock N' Roll Nerd, que compõe músicas que misturam humor com consciência política, social e filosófica (minha cara né?).

Tipo, o cara consegue falar da importância de preservar o meio ambiente ao mesmo tempo em que expressa sua paixão por apalpar peitos. Adorei esse cara.

Assiste ae e deixa um comentário aqui em baixo me falando o que você acha do cara belez?


Se a legenda não funcionar, tem que clicar no ícone "legendas" do vídeo pra ativas.